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    <title>Caderno Territorial</title>
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    <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/news</link>
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      <title>A GEOGRAFIA NO FILME A VILA (2004): CONCEITOS E TEMAS PARA REFLEXÃO</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="filme" title="filme" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/comunidade.jpg?1755536161" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Jean Carlos Ribeiro de Lima&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Os conceitos existem para ajudar o homem a compreender o mundo em que vive. E mais: um conceito é também uma visão de mundo, marcado por sua característica mais proeminente, a universalidade (Aristóteles, 2024). No âmbito da Geografia – e do conhecimento científico num todo –, os conceitos são fundamentais para determinar o caminho pelo qual certa visão de mundo seguirá. Os conceitos de &lt;em&gt;Território&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Espaço&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Região&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Paisagem&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Lugar, &lt;/em&gt;quando tomados por categorias de análise&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; fornecem subsídios interpretativos do mundo e colocam o homem no centro da abordagem geográfica. Dessa forma, o presente texto objetiva refletir sobre conceitos-chave e temas da Geografia a partir do filme &lt;em&gt;A Vila&lt;/em&gt; (2004), do diretor indiano Manoj Nelliyattu Shyamalan.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O texto não busca enfatizar, de forma descritiva, eventos e cenas específicas do filme, tampouco se trata de uma crítica especializada (nem mesmo amadora). O objetivo é uma abordagem geral do filme destinada à relação que o enredo possui com alguns conceitos e temas da Geografia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A princípio, o filme revela uma primeira impressão sobre a categoria &lt;em&gt;Espaço&lt;/em&gt;. De imediato, têm-se que o espaço se constitui a partir do sujeito e de suas relações. É possível ainda supor que o espaço seja um componente associado às apropriações, sentidos e criações humanas que constroem modos e estilos de vida específicos. Tal suposição ocorre por entendermos que, a partir do filme e de suas primeiras impressões, a opção por um determinado modo de viver possa representar a consciência e a ação coletiva como fundamentos para constituição de um espaço propriamente dito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em dado momento do filme, a ideia de espaço parece vincular-se à noção de “espaço social” de Henri Lefebvre (2006). Ou seja, quando os moradores da vila entram – mesmo que indiretamente – em choque com o mundo “de fora”, com os valores da globalização que parece implacável. A partir desse “choque”, produz-se o espaço social, fruto da conjunção de temporalidades e espacialidades distintas, mas onde predomina o capital em última instância.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De modo geral, seríamos, &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, tentados a analisar o filme tão somente a partir do ponto de vista do espaço geográfico, da localização e do estreito envolvimento com o meio natural. Todavia, as apreensões do filme com base no conceito de &lt;em&gt;Espaço&lt;/em&gt; revelam as contingências expressas pelo grupo social que decide reinventar-se em novas bases socioespaciais. Significa que o espaço é constantemente afetado por transformações sociais, sendo, pois, inteligível por meio da sociedade (Santos, 1977 citado por Corrêa, 2012).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comparativamente, o geógrafo tem como referência de análise dos fatos que o cercam a perspectiva do espaço, enquanto o historiador a perspectiva do tempo. E no filme isso fica muito claro. O espaço não é um &lt;em&gt;res cogitans&lt;/em&gt; (objeto da razão) dissociado da &lt;em&gt;res extensa&lt;/em&gt; (matéria) dos moradores da vila. É sobretudo um instante que marca os acontecimentos daquilo que Walter Benjamin (1987) chamou de um passado saturado de “agoras”. Em outras palavras, o espaço contém (e retém) a historicidade das ações humanas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em outro momento da trama, o conceito de &lt;em&gt;Região&lt;/em&gt; emerge, podendo, eventualmente, ser apreendido como meio físico (natural) e biológico – uma vez que se trata de uma região isolada; uma floresta protegida por lei –, mas, também, ao conjunto de práticas e ações humanas estritamente determinadas (ação do sujeito). Trata-se de uma leitura assente na conformação de gêneros de vida, resultantes da interferência do trabalho humano, muito especialmente por conta da opção de isolamento, que define as práticas e as relações sociais ali existentes (Gomes, 2012). Nesse sentido, os próprios hábitos e costumes criados na vila (espaço geográfico) a partir do isolamento, como, por exemplo, a prática das refeições coletivas e das regras de segurança (não era permitido, por exemplo, a entrada na floresta) reconstroem processos e trajetórias de vida, o que circunscreve aquela “região”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A questão pertinente que o filme levanta sobre a &lt;em&gt;Região&lt;/em&gt; enquanto categoria de análise da Geografia, é aquela que Vidal de La Blache (1985, p. 175) chamou de “combinação de fenômenos físicos, naturais e humanos”. Isto é, nessa perspectiva, não se pode mais dizer que existe uma Geografia Geral (dita dos fenômenos físicos, climáticos etc.) e que seria, portanto, “verdadeiramente” científica, em oposição a uma Geografia das Regiões (das especificidades do lugar, da região etc.). No filme, a tessitura das relações sociais da comunidade ali edificada decorre dessa percepção: a &lt;em&gt;Região&lt;/em&gt; não é apenas um meio físico, natural, mas, antes de tudo, um microcosmo de vivências e experiências de vida sedimentadas a partir do tempo e do espaço.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outra leitura possível é a que envolve a perspectiva da &lt;em&gt;Paisagem &lt;/em&gt;e a alimentação simbólica das ingerências inseridas no enredo do filme. Significa que a escolha do isolamento demonstra opção por uma paisagem que é material (o que vejo e o que sinto), mas que também é condicionante da experiência vivida daquele grupo. Isso significa que a paisagem ali (na trama) é construída, pois revela a estrutura social (a hegemonia do grupo dos anciãos da vila) e as representações simbólicas (os monstros que habitam na floresta; as cores vermelha e amarela, associadas, respectivamente, àqueles que não se pode mencionar os nomes e, alusiva à proteção contra os monstros) (Luchiari, 2001).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a paisagem revelada no filme está em construção, o &lt;em&gt;Lugar&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;Território&lt;/em&gt; também são envolvidos numa (re)significação prática. No que tange ao &lt;em&gt;Lugar&lt;/em&gt;, vê-se uma essência, um sentido e uma resistência em sua elaboração. No contexto da produção cinematográfica, a vila não é apenas um lugar físico, natural. Pelas opções do grupo, o lugar ali subtendido nas cenas é apreendido por meio das visões de mundo, constituídas, sobretudo, pela experiência cotidiana e pelo vivido (Relph, 2014). As práticas e as ações ali inseridas, também apresentam sentidos, pois se trata da capacidade de apreciação de diferentes lugares (que no caso dos habitantes da vila se encontra limitado pelo isolamento).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No caso da resistência, a construção de todo o imaginário em torno da essencialidade da vila é reveladora de uma obstinação ao que antes era a experiência de vida no mundo globalizado. A perda de entes queridos e a indignação com os padrões impostos pela sociedade globalizada gerou um sentimento de resistência frente ao ambiente “isolado”, como forma de, e, ao mesmo tempo, enfrentamento e proteção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como consequência ao processo de construção do lugar e de uma identidade, percebe-se a emergência de um território determinado por relações de poder na representação do que é a vila. A dimensão da política e da ideologia também são fundamentais na formação de um determinado território, em que se parte de uma ação prática do grupo social. Talvez aqui se possa ir além das possibilidades de compreensão acerca das relações de poder no cotidiano dos moradores da vila, pois toda convivência e interação que ali se opera é permeada por tal dimensão. Isso porque, conforme Saquet (2013), as relações de poder são vividas, sentidas, percebidas e diferentemente compreendidas. Assim, as relações de poder estão no contexto familiar, na aldeia, nas comunidades tradicionais, nas escolas, no trabalho, na igreja, na festa, enfim, nas relações e interações sociais da vida cotidiana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A teia de relações construídas entre os habitantes da vila revela as formas de exercício do poder. Não se trata apenas de um poder situado no plano dos limites territoriais com a floresta (que por sinal é quebrado por circunstâncias extemporâneas) ou na hegemonia dos anciãos, mas, sim, na própria convivência cotidiana, nas relações familistas e de parentesco, nos arranjos conjugais e nos sentimentos de afeto reprimidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, talvez possamos identificar territorialidades subjacentes ao contexto de vivência da vila, ou seja, conexões entre dimensão territorial e identitária (noção ontológica). Conforme alude Yi-Fu Tuan (1983), o &lt;em&gt;Espaço&lt;/em&gt; e o L&lt;em&gt;ugar&lt;/em&gt; devem ser pensados e analisados a partir dos sentimentos e das ideias de um povo na torrente da experiência. A autoafirmação do grupo que reside na vila determina características e traços de identidade que deve ser preservada como símbolo de pertencimento e união comunitária. A todo momento, o sentimento de autonomia e resistência identitária criado pelos habitantes daquele espaço os condicionam a permanecer obstinados ao seu modo de vida particular, distante de quaisquer outros valores e preceitos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existe na trama do filme uma relação da história narrada e uma relação local-global. Como já mencionamos, a própria opção pelo isolamento se constitui por meio de uma recusa do global ante os modos singelos de vida no local. A negação, neste caso, se configura não na diluição do global, mas, sim, na sua (re)invenção. Milton Santos (1985) foi certeiro ao dizer que é a sociedade que dá vida ao espaço. Sendo considerado como totalidade, a análise do espaço como categoria geográfica deve levar em conta as partes, que levam ao todo, e assim por diante. A leitura mais correta sobre a reflexão que o filme promove sobre a relação local-global talvez seja esta: a de que um não se separa do outro e estão, pois, em simbiose.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em boa medida, o filme explora outros elementos para além dos citados conceitos geográficos. Consegue propor uma reflexão histórica, antropológica (que aliás, é muito bem trabalhada ao longo do filme) e sociológica. Histórica porque evidencia temporalidades distintas e tradições da comunidade que são transmitidas às gerações futuras. Antropológica porque mostra que as tradições ensejam modos de vida, por meio de rituais, mitos e lendas que sedimentam a coesão identitária do grupo. Sociológica por revelar um universo em que as relações sociais são definidas por fatores como vizinhança, família e tradição.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É um filme denso, com um enredo muito interessante e atuações competentes. Fica a indicação aos leitores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Referências &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Vila&lt;/strong&gt;. Direção: &lt;span&gt;M. Night Shyamalan&lt;/span&gt; Roteiro: &lt;span&gt;M. Night Shyamalan&lt;/span&gt;. EUA, 2004. 108min.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ARISTÓTELES. &lt;strong&gt;Metafísica&lt;/strong&gt;. Rio de Janeiro: Vozes, 2024. 320 p.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;BENJAMIN, Walter. &lt;strong&gt;Magia e técnica, arte e pólitica:&lt;/strong&gt; ensaios sobre a literatura e história da cultura. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. 257 p. (Obras escolhidas). Sergio Paulo Rouanet. Disponível em: &lt;a href="https://psicanalisepolitica.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/10/obras-escolhidas-vol-1-magia-e-tc3a9cnica-arte-e-polc3adtica.pdf"&gt;https://psicanalisepolitica.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/10/obras-escolhidas-vol-1-magia-e-tc3a9cnica-arte-e-polc3adtica.pdf&lt;/a&gt;. Acesso em: 09 ago. 2025.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;BLACHE, Vidal de La. As características próprias da geografia. In: CHRISTOFOLETTI, A. (Org.). &lt;strong&gt;Perspectivas da geografia&lt;/strong&gt;, 2. ed. São Paulo: Difel, 1985. p. 37-48. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço, um conceito-chave da Geografia. In: CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato (Orgs). &lt;strong&gt;Geografia: &lt;/strong&gt;conceitos e temas. 15ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.   &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;GOMES, Paulo Cesar da Costa. Espaço, um conceito-chave da Geografia. In: CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato (Orgs). &lt;strong&gt;Geografia: &lt;/strong&gt;conceitos e temas. 15ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;LEFEBVRE, Henri.&lt;strong&gt; A produção do espaço&lt;/strong&gt;. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La production de l’espace. 4e éd. Paris: Éditions Anthropos, 2000). Primeira versão: início - fev. 2006&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;LUCHIARI, Maria Tereza Duarte Paes. A (re)significação da paisagem no período contemporâneo. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato (Orgs). &lt;strong&gt;Paisagem, Imaginário e Espaço. &lt;/strong&gt;Rio de Janeiro: Editora UERJ, 2001.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;RELPH, Edward. Reflexões sobre a emergência, aspectos e essência de Lugar. In: MARADOLA Jr, Eduardo; HOLZER, Werther; OLIVEIRA, Lívia de (Orgs). &lt;strong&gt;Qual o espaço do lugar? &lt;/strong&gt;Geografia, Epistemologia, Fenomenologia. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;SANTOS, Milton. &lt;strong&gt;Espaço e método. &lt;/strong&gt;São Paulo: Nobel, 1985, 88 p.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;SAQUET, Marcos Aurélio. &lt;strong&gt;Abordagens e concepções de território. &lt;/strong&gt;3ª. ed. São Paulo: Outras expressões, 2013.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;YI-FU TUAN. &lt;strong&gt;Espaço e lugar&lt;/strong&gt;: a perspectiva da experiência. Tradução de Lívia de Oliveira. São Paulo: DIFEL, 1983.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Jean Carlos Ribeiro de Lima&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Professor efetivo da Rede Pública Estadual de Ensino (SEDUC/GO).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Graduado em História e Mestre em Ciências Sociais e Humanidades (UEG).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Doutorando em Geografia pelo Instituto de Estudos Socioambientais (IESA/UFG).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;E-mail: &lt;a href="mailto:lima.ribeiro@discente.ufg.br"&gt;lima.ribeiro@discente.ufg.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;LIMA, Jean Carlos Ribeiro de. A Geografia no Filme A Vila (2004): conceitos e temas para reflexão. &lt;em&gt;Territorial&lt;/em&gt; – Caderno Eletrônico de Textos, vol. 15, n.17, 18 de agosto de 2025. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 18 Aug 2025 13:57:12 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/193779-a-geografia-no-filme-a-vila-2004-conceitos-e-temas-para-reflexao</link>
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    <item>
      <title>O NOSSO LUGAR É DEFINIDO POR NÓS</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="sisi" title="sisi" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/Foto_Isis_Lustosa_2.jpeg?1748978724" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Isis Maria Cunha Lustosa&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;Marina, não marejou o seu olhar de mulher, de ambientalista e de ministra. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;Marina Sil&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;v&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;a, enfrentou os olhares abjetos no Senado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;Marina, mulher, de cabeça erguida...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;Toda, ela, ministra, aguerrida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;"&gt;Enfrentou!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Ipê-Rosa, brota! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Toda a árvore está florada...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Na capital nacional, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, a paisagem varia entre o tom roseado e multicolor... Manifestação!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Irei, tão logo a prosa careça, solver Guimarães Rosa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;No friozinho rumo gélido, os Cerrados, bastante devastados no Brasil Central, pouco a pouco são gelados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Vamos chegar juntos... Aconchega-te!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;És tu, junho? Manifestar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Abre-te, no primeiro dia, com a manifestação nacional, toda ela, contra o Projeto de Lei (PL) 2.159, o PL da Devastação. Momento marcante, no Eixão do Lazer Norte, em Brasília, demostra a figura 1. Também, não deixa de ser, o referido protesto, contrário a mais uma das ofensivas às mulheres, à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;A Mulher Ambientalista e Ministra de Estado, violentamente, destratadas, desrespeitadas, ofendidas no Senado, durante uma participação a convite. Fomos, igualmente, atacadas! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Toca-nos a expressão de Guimarães Rosa – “Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Aquilo foi o que se chama – audiência pública –, aquela ocorrida há poucos dias atrás na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal? Sessão sinistra naquela casa, de maioria das bancadas insalubres, abancadas no Senado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Conjecturou-se uma sessão funesta para sepultar a mulher, pois a ministra os contrariava, os senadores intransigentes, exatamente, pelos temas a serem tratados no tocante a região Norte do Brasil. Portanto, havia sido afrontada pelo agressor (senador) a não ser autoridade de Estado respeitada! O político, insuflado por comparsas, bradou durante a sessão: “a mulher merece respeito, a ministra, não.” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Desrespeitada por ser representante – Mulher no Governo Federal. Não apenas por isso! Sabemos... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;A mulher MARINA, presente! A ministra, nunca silenciada!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Marina Silva, não emudeceu diante a cúpula ruralista, bastante incomodada, pois o tema da específica Unidade de Conservação (UC) marinha, onde a Petrobras tenciona realizar estudos para extrair petróleo, para eles, a UC é calosidade nas suas botas e arreios. Também, o PL da Devastação, dentre tantos outros temas da agenda ambiental e do clima.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Àquele algoz senador que, em março do ano vigente, ousou desejar, publicamente, a “vontade de enforcá-la" a citada pessoa da ministra. Ele, na tal audiência, atual, insistia nos seus ataques verbais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Hoje, primeiro de junho, vamos, o nosso recado manifestar, ou seja, ocupar as retas e as curvas das ruas, nas cinco regiões do Brasil. Haverá, sempre, uma mulher em cada canto do nosso lugar de direito – a base de luta, conquista árdua e capacidade formal ou informal – para afirmar que a nós, somente a nós, caberá definirmos: O NOSSO LUGAR. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Como melodia, Itamar Assumpção e Na Ozetti, "Canto em qualquer canto." &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Cantaremos em todos os cantos do planeta! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Sorriremos em todos os lugares mundiais! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Outro senador, não menos atacante, o presidente da comissão referida, sem respeitá-la naquela sórdida audiência, partiu com o tom dissoluto e impositivo: “me respeite ministra, se ponha no seu lugar.” Tentou subordiná-la, embora a forma incerta da frase na nossa língua brasileira. Execrável até na sua oralidade, desprovida de concordância. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Ponha-se! Este, nunca, nunca mesmo, será o nosso verbo em ação. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Somos, as mulheres brasileiras, presentes, como mais da metade da população do país! É uma referência latino-americana. Este percentual que, não é um índice qualquer, por si só, já faz a nossa presença, também, implicação universal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;O nosso lugar não é na coxia!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;O nosso lugar não é embaixo do palco!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;O nosso lugar não é ditado por ditadores! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;O nosso lugar ocupa, milimetricamente, cada canto da circunferência da Terra-Mãe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Não somos abjetas, muito menos objetos a serem colocados, onde algum misógino, racista, pense em poder determinar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;És tu mesmo, junho? Juninar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Na cultura popular, bem vestido, sem negar os trajes juninos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Vestimentas luzentes na estamparia chita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Chapéu ornado, respeitosamente, conforme as origens! Original chapéu de palha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;É variada a chapelaria...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;"Sorriam", mulheres!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Mulheres, "sorriam"!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Nossas duras penas vencidas, alicerçadas, nunca serão abolidas por microfone, covardemente, desligado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;A voz de Marina Silva não foi calada, nem será abafado o nosso coro coletivo. Ecoaremos, independe de sonoridade artificial.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Temos as cordas vocais para amplificarmos os nossos graves contra os insultos por meio dos nossos agudos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;As nossas reivindicações SOAM À CAP(ELA).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Junho, és mesmo tu? Festar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Alavantú (para frente) mulheres na quadrilha junina!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Pois bem, mês Seis, desejo que, o animador da quadrilha dançada, nunca ouse em gritar a nenhuma mulher, dama da dança junina, a tal imprópria expressão: "se ponha no seu lugar."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Cada qual, a mulher ali, aqui ou acolá, caso assunte a afronta, até mesmo se no ensaio da quadrilha, enquadrará o tal cabra, no crime que lhe for merecido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Pusemos àqueles, ditos e cujos, nos seus lugares, até nos festejos juninos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Junho, junino, mês santeiro, de arrastar pés nos salões ou terreiros, receba com respeito cada mulher nessa parceria arretada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Eita!!! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Eita!!! Junho!!! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;As mulheres brasileiras, bem ofendidas, àquelas solidárias à ministra, estão que nem fogueira junina: um braseiro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Inflamem-se tais políticos-ruralistas, a maioria com assentos nas bancadas das duas casas do Congresso. É o que sabem fazer: inflamarem-se nas suas calças e botas invisíveis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Explodam-se por si só como os seus fogos, camuflados com estopins danosos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;És tu Tonho, já pronto para a Festa Junina, sem esquecer de acalentar o menino nos braços?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Antônio, àquele do 13 de junho!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Mãos dadas com João do 24 junino...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Aconchegas Pedro, ninguém solta a mão de ninguém na quadrilha festiva. És o São de findar o junho, Pedro pescador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Em menção às meninas e às mulheres, vítimas de violência... assistam o filme brasileiro, "Manas", dirigido por Marianna Brennand.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;A ofensiva à mulher Marina Silva, certamente, já está numa próxima poesia dos poetas e das poetisas cordelistas, dependuradas não para enforcamentos, mas para denunciar os ofensores por meio dos cordões da Literatura de Cordel, pois é chegado junho. Também, dos novos repentes, expoentes dos ataques à ministra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Sugiro a leitura do Cordel da Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340 de 7 de agosto de 2006). Basta, também, de violência doméstica e familiar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Mulheres não são seres inquilinos de locadores autoritários.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Mulheres são proprietárias de si e dos seus lugares, onde quer que queiram estar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Se(na)dores, àqueles desrespeitosos, voltem ao (na)da, o que são, os ofensores de ternos e gravatas. Insanos de berço!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Viva, São Antônio!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Viva, São João!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Viva, São Pedro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Junho, depois das afrontas recentes, dirigidas à mulher, à ministra, a todas nós, carece incluímos algumas Santas a quem rogarmos no junho das manifestações e das festividades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Rogaremos à Santa Negra, à Nossa Senhora Aparecida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Até a referida Padroeira Aparecida, do Brasil e de Brasília, está indignada como Mulher Santa, com o grau de ofensas à ministra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Invocaremos à Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e das Pretas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Respeitem à Mulher Preta! Respeitem à Preta Mulher!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Recordem-se que, a deputada federal, Maria do Rosário, em 2014, foi insultada tal qual Marina Silva, por meio do reles deputado, político de um projeto só à época. Ele, na tribuna da Câmara, bradava, que não estupraria a deputada “porque ela não merecia”, por considerá-la “muito “feia” e “não faz” seu “tipo”.  Incitação pública ao estupro!   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Evocaremos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;à Nossa Senhora da Penha. A Lei Maria da Penha, já mencionada, diz o porquê...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;JUNHO VIOLETA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;, convém lembrar: diga não à violência contra a pessoa idosa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;No mês (jun)ho, estaremos mais juntas, pois serão várias causas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Juntas, sempre!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Isis Maria Cunha Lustosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Pesquisadora externa e professora colaboradora – Laboter/IESA/UFG&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Membro do Proyecto UBANEX/UBACYT/UBA/FFyL/ICA &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;&lt;a href="mailto:isismclustosa12@gmail.com"&gt;isismclustosa12@gmail.com&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Arial',sans-serif;"&gt;&lt;span&gt;LUSTOSA, Isis Maria Cunha. O nosso lugar é definido por nós. &lt;em&gt;Territorial&lt;/em&gt; – Caderno Eletrônico de Textos, vol. 15, n.17, 4 de junho de 2025. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 03 Jun 2025 16:27:41 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/191722-o-nosso-lugar-e-definido-por-nos</link>
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    </item>
    <item>
      <title>NIGUÉM, EXCETO CESAR CALEJON, ESCREVERÁ AO MINISTRO HADDAD</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="veja" title="veja" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/1-FERNANDO-HADDAD-2024-9-a.webp?1734311464" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Tadeu Alencar Arrais&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;-Enquanto isso, o que é que nós vamos comer&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt; – perguntou, agarrando o Coronel pelo colarinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;Sacudiu-o com força.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;-Diga, o que nós vamos comer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;O Coronel precisou de setenta e cinco anos de sua vida,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;minuto a minuto – para chegar àquele instante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;Sentiu-se puro, explícito, invencível, no momento de responder&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;- Merda. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt;Gabriel García Márquez, &lt;em&gt;Ninguém escreve ao Coronel&lt;/em&gt;, p. 95.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 115%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Só um gráfico. Nada de equações, exercícios matemáticos ou modelos inspirados em cenários geopolíticos internacionais. Apenas um gráfico. O mais, talvez, simples dos gráficos para uma aula de geografia para alunos do ensino básico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;img src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/tadeu-grafico1.png" alt="fig1" width="600" height="" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Figura 1. Brasil, evolução da população por local de domicílio  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Fonte: IBGE-SIDRA (2024)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Uma Lei. Uma Lei com poucos parágrafos, &lt;em&gt;caputs&lt;/em&gt; e artigos. Apenas uma Lei inspirada em outra, já caduca Lei, conhecida como PEC-95. A mais, talvez, didática das leis publicadas no Diário Oficial da União no Governo Luís Inácio Lula.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;img src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/tadeu-fig2.png" alt="f2" width="600" height="196" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Figura 2. Excerto da Lei Complementar Número 200, de 30 de agosto de 2023&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Fonte: Brasil (2023)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;O gráfico, isolado das determinações da vida cotidiana de um país de 8,5 milhões de Km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;, é apenas um conjunto de linhas. Mas esse gráfico pode ser interpretado como uma síntese de vários movimentos da sociedade brasileira. Não só o aumento da população total, mas também sua movimentação no espaço, afinal, já em 1970, nos tornamos uma sociedade, formalmente, urbana. A urbanização, acompanhada da industrialização e impulsionada pela modernização da agropecuária, mudou o perfil regional do território nacional. As linhas ascendentes também representam as acumuladas e crescentes demandas sociais da população urbana e rural. Demandas por direitos sociais que, primeiramente, frequentaram o asfalto para, em seguida, atingir os roçados. São, igualmente, linhas ascendentes da questão urbana, traduzida no déficit habitacional e na carência de saneamento básico. Também é a curva da saúde e da educação, ou melhor, a curva de expectativas, crescentes, por hospitais, vacinas, unidades básicas de saúde, escolas, creches, universidades etc. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Não é segredo que, durante parte significativa do século XX, as expectativas de acesso aos serviços de educação e saúde pela camada mais pobre da população foram frustradas. A oferta desses serviços se localizou, sobretudo, no mercado privado e nas áreas densamente povoadas. Para uma porção significativa do país que assistia o projeto de modernização conservadora só restava a expectativa de esperar o bolo crescer para, depois de cortado, se alimentar das migalhas caídas ao redor da mesa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Garamond',serif;"&gt; A &lt;em&gt;Constituição de 1988&lt;/em&gt;, símbolo da democratização, democratizou as expectativas de mobilidade social, afinal aprendemos que a educação sedimentaria as escadas da cidadania e da qualificação profissional. No final da década de 1980 já éramos quase 150 milhões de pessoas. A partir do texto da &lt;em&gt;Carta Magna&lt;/em&gt; podemos, novamente, olhar o gráfico de linhas. Perseguimos, desde então, um tipo de cidadania que tornava imperativa a universalização dos serviços públicos e, ao mesmo tempo, a garantia dos mínimos para a sobrevivência dos mais vulneráveis. Os Artigos 6º, 7º e 194 da &lt;em&gt;Constituição Federal&lt;/em&gt; resumem essas expectativas:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0cm 70.8pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: #1f1f1f; background: white;"&gt;Art. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: #040c28;"&gt;6º&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: #1f1f1f; background: white;"&gt; São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 70.65pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Art. 7º&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt; São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-indent: 0.15pt; line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 70.65pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;III - fundo de garantia do tempo de serviço;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 70.8pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 70.8pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Art. 194&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: normal; background: white; margin: 0cm 0cm 0cm 70.8pt; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; text-indent: 28.5pt; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Que relações podemos estabelecer entre os três artigos da &lt;em&gt;Constituição Federal&lt;/em&gt;, a Figura 1 e a Figura 2? A Figura 1 pode ser representada como uma síntese, desde que não se desconsidere a qualificação dos sujeitos, das demandas acumuladas da população brasileira. Já os artigos 6º, 7º e 194º demonstram como o Estado brasileiro reconheceu e, ao mesmo tempo, foi edificando os meios políticos, institucionais e financeiros para atender tais demandas. Em síntese: o crescimento da população, seu envelhecimento e seu empobrecimento, por exemplo, impôs mais atenção com a educação, a saúde e a assistência social. Nesse interregno surge a Figura 2, que sistematiza o que o governo de esquerda adjetivou de Novo Arcabouço Fiscal Sustentável. A lógica, bastante simples, é equilibrar as contas públicas a partir da redução das despesas, garantindo o espaço para reprodução das elites financistas. É o próprio Governo Federal que esclarece a mecânica do Novo Arcabouço Fiscal:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; background: white; vertical-align: baseline; margin: 0cm 0cm 15.0pt 70.8pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Há uma banda (piso e teto) para o crescimento real (descontada a inflação) das despesas do governo entre 0,6% e 2,5%. Isso evita gastos excessivos em momentos de maior crescimento econômico, quando as receitas crescem mais aceleradamente, e de paralisação do setor público quando há desaceleração da economia e as receitas caem. É um mecanismo que garantirá recursos para o custeamento adequado dos serviços públicos, como direcionamento dos recursos arrecadados da sociedade para gastos prioritários e para a ampliação dos investimentos públicos, sempre com contas sob controle. Isto é, trata-se de um instrumento que visa garantir responsabilidade social com responsabilidade fiscal (Brasil. Gov-Fazenda, 2024).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;            A obsessão pelo equilíbrio fiscal, associado a ideia, manifestada formalmente pelo Governo Federal, de prestar condolências aos investidores e agentes internacionais, não apenas impõe limites, mas também impede a realização, ainda incompleta, do processo de universalização dos serviços públicos. Quem comeu o bolo de fubá comeu. Aos atrasados, nem mesmo as migalhas. A ideia agora é ajustar as contas a partir das despesas primárias, eufemismo eficiente para justificar a redução dos gastos com o conjunto, crescente, de serviços públicos. Aqui entra tanto a manutenção quanto a construção de uma creche e a contratação de professoras. Tanto a modernização ou a construção de um hospital e a contratação de enfermeiras. A concessão dos mais variados benefícios sociais, a exemplo do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da Aposentadoria Rural, entre outro conjunto bastante elástico de despesas sociais, são classificadas como despesas primárias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; background: white;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;&lt;img src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/tadeu-fig3.png" alt="f3" width="600" height="199" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 10pt;"&gt;Figura 3. Brasil, cadastro, por categoria, no Cad-Único, em outubro de 2024&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 10pt;"&gt;Fonte: MDS (2024)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;É possível, ainda pensando no gráfico de linhas, deduzir que o crescimento da população atingiu, entre 2010 e 2022, o percentual de 0,52 ao ano. No mesmo período, a população idosa passou de 14 milhões para 22,2 milhões, correspondente ao incremento de 7,4% entre 2010 e 2022. No ano de 2022, como divulgou o IBGE, 8,1% da população brasileira ainda vivia em favelas e comunidades urbanas invisíveis para os príncipes da austeridade fiscal. É possível imaginar, sendo a população, segundo os dados atualizados do CAD-Único, ainda consideravelmente pobre e de baixa renda, que a pressão por serviços públicos na área de saúde e educação, além dos investimentos assistência social, aumentará a cada ano. Há, portanto, uma incompatibilidade genética entre a crescente necessidade de universalizar os serviços públicos e a matriz política e econômica que não apenas reduz, mas também sucateia os serviços públicos existentes, pavimentando o caminho para as privatizações. Não haverá saída para a porção mais miserável da população, isso porque&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: Symbol; color: black;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;a oferta de serviços públicos de saúde e educação básica, considerando a qualidade, manifestada pela infraestrutura e pela disponibilidade de servidores públicos, já é bastante assimétrica regionalmente. Isso significa admitir que a necessidade de universalização esbarra no subfinanciamento dos sistemas públicos de educação básica e de saúde. É provável, retomando no nosso gráfico de linhas, que o sucateamento dos serviços públicos da educação e da saúde alimente, em cada canto do país, a mentalidade privatista neoliberal. &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: Symbol; color: black;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;o sucateamento, produto do subfinanciamento, surtirá efeito diferencial em nossa geografia. Ocorre que, como tem divulgado o Observatório do Estado Social Brasileiro, em 38,7% dos municípios brasileiros, em área equivalente a 33,5% território nacional e população total equivalente a 8,63% da população total, não há registro de oferta privada de estabelecimentos de saúde. Na educação básica, em 43,3% dos municípios não há registro de oferta privada, em área equivalente a 38,9% do território nacional e população total de 8,28% da população do país. O mercado não ofertara serviços nos amplos espaço periféricos e, a partir de agora, esquecidos pelo Estado nacional. “&lt;em&gt;Vocês não existem e não são valiosos para nós&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;table style="width: 588px; margin-left: -0.25pt; border-collapse: collapse; height: 150px;"&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr style="height: 15.0pt;"&gt;
&lt;td style="width: 104.275px; border-width: 1pt; border-style: solid; border-color: windowtext windowtext black; border-image: initial; background: #dbdbdb; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;" rowspan="2"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: center; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;Área&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 462.675px; border-top: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-image: initial; border-left: none; background: #dbdbdb; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;" colspan="3"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: center; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;Municípios sem registro de oferta privada &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr style="height: 15.0pt;"&gt;
&lt;td style="width: 132.175px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; background: #dbdbdb; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;Total &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 111.25px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; background: #dbdbdb; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;Área (Km2)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 199px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; background: #dbdbdb; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;População total &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr style="height: 15.0pt;"&gt;
&lt;td style="width: 104.275px; border-right: 1pt solid windowtext; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-left: 1pt solid windowtext; border-image: initial; border-top: none; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;Saúde &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 132.175px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;2.158&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 111.25px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt; 2.855.310,4&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 199px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt; 17.527.803&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr style="height: 15.0pt;"&gt;
&lt;td style="width: 104.275px; border-right: 1pt solid windowtext; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-left: 1pt solid windowtext; border-image: initial; border-top: none; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;Educação&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 132.175px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;2.397&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 111.25px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;3.316.714,9&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;td style="width: 199px; border-top: none; border-left: none; border-bottom: 1pt solid windowtext; border-right: 1pt solid windowtext; padding: 0cm 3.5pt; height: 15pt;"&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; color: black; font-size: 10pt;"&gt;16.833.180&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Figura4. Brasil, municípios sem registro de oferta privada de estabelecimentos de saúde e de educação básica, 2023&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Fonte: Observatório do Estado Social Brasileiro (2024), DATA-SUS (2023), INEP (2023)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt; &lt;img src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/tadeu-fig5.png" alt="f5" width="600" height="345" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Figura 5. Estimativa preliminar de impacto, em bilhões, entre 2025 e 2030&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Fonte: Adaptado de Governo Federal (2024)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;As dúvidas sobre os efeitos perversos do Novo Arcabouço Fiscal, mesmo para a militância mais ingênua, foram, didaticamente, solucionadas na última semana com o anúncio de um conjunto de medidas, segundo o Governo Federal, necessárias para controlar as contas públicas. As medidas, no entanto, estão centradas no controle de despesas sociais. O quadro síntese das medidas, transformado em linhas evolutivas na Figura 5, oferece outra imagem do conjunto das medidas. Cada uma dessas linhas guarda um gradiente de repercussão material na vida das pessoas. Da economia projetada de 326,9 bilhões de reais, 67,97%, de partida, afetam diretamente os mais pobres. Todo o conjunto de medidas foi, milimetricamente, pensado para atingir os mais pobres, isso sem contar o fato que ficarão, ainda mais, mais pobres. A redução nos valores do Fundeb (Tempo Integral), passando pela redução do BPC e terminando na redução do ritmo de crescimento do Salário Mínimo não deixam margem, sequer, para interpretações A cassação de benefícios para deficientes e idosos vulneráveis e a redução no ritmo de crescimento do Salário Mínimo, por dois motivos, são as mais cínicas: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;ol style="list-style-type: lower-alpha;"&gt;
&lt;li style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;O eufemismo recorrente, em relação ao BPC, passa pela divulgação de uma condição sistêmica de fraudes. Não podendo apresentar dados que comprovem e, portanto, justifiquem os cortes, o Governo Federal mudará, entre outras medidas, a forma de composição da renda, medida que colocará centenas de milhares de beneficiários em condição irregular por ultrapassar o robusto teto de ¼ do Salário Mínimo por pessoa. Os cortes no BPC, segundo projeção do Governo Federal, atingirão 12 bilhões de reais. Na prática serão cortados 118 mil benefícios por ano, equivalente aos 2 bilhões por ano, o que, em 2030, atingirá 708 mil beneficiários. Não podemos esquecer que o BPC é o mais importante dos benefícios sociais brasileiros, envolvendo, diretamente, mais de 12 milhões de pessoas. Foram emitidos, em setembro de 2024, 2.710.858 benefícios na modalidade idoso e 3.477.897 na modalidade portador de deficiência. No entanto, o BPC é um tipo de benefício que permite que esse um vulnerável seja cuidado por outro, o que, sempre, envolverá uma ou duas pessoas do núcleo familiar. O sofrimento do pobre é, frequentemente, socializado com os familiares, especialmente as mulheres. Não estamos a tratar de um resfriado. Cegueira, Doença de Chagas, Doença de Huntington, Doença de Parkinson, Epilepsia, Esclerose, Mal de Alzheimer, HIV, Transtorno do Espectro Autista, entre tantas outras doenças que atingem brasileiros vulneráveis, estão entre aquelas atendidas pelo BPC.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 107%; font-family: Garamond, serif; color: black;"&gt;A mudança no Salário Mínimo representará, no quadro de todos os cortes, 33,58% de economia.  Mas quem, novamente, ganha um Salário Mínimo? Aqui o cinismo converteu-se em sadismo. A política gloriosa de ganho real do Salário Mínimo, decantada dos discursos políticos do Presidente Lula, será destruída. Haverá impacto na Previdência Social, no mercado de trabalho formal e, igualmente, no poder de compra dos mais vulneráveis. É o presente para aqueles que reivindicam o fim da escala 6X1. O economista Pedro Rossi, em uma publicação nas redes sociais, interrogou: “Se a regra do salário-mínimo do pacote valesse desde 2003? Hoje, o mínimo seria em torno &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 107%; font-family: Garamond, serif;"&gt;de 25% por centro menor&lt;/span&gt;, ou seja, inferior a R$ 1000.” Há outro aspecto, ainda, a pontuar. O Salário Mínimo tem uma repercussão regional particular, já que é mais importante, considerando a participação geral desse grupo de renda, assim como da inflação setorial, nas regiões mais pobres. Pensem na hipótese de diferença de 1.5 pontos entre um PIB de 4 pontos e o limite de 2.5 pontos de crescimento imposto pelo Novo Arcabouço Fiscal. Isso significaria R$ 21,18 mensais no bolso no trabalhador e da pensionista do INSS. Muito pouco. Agora multiplique R$ 21,18 por 13 e chegará ao valor de R$ 283,4 ao ano. Continua pouco. Menos da metade de um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif;"&gt;Robert Mondavi (Cabernet Sauvignon) que alimenta perfuma os jantares do Ministro com os representantes da Faria Lima. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif;"&gt;Essa é, no entanto, em milhares de localidades desse país, a diferença entre cozinhar com gás ou com carvão vegetal. A diferença, por alguns meses, entre o almoço sem mistura e o almoço com mistura. Diferença que o Lula, de 2003, sabia bem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 35.4pt; line-height: normal; background: white; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Garamond',serif; color: black;"&gt;Não podemos observar, em silêncio, a erosão da estrutura idealizada na&lt;em&gt; Constituição de 1988&lt;/em&gt;. A cumplicidade do campo progressista cobrará, no futuro próximo, um amargo preço. Lembro, agora, das personagens do genial livro &lt;em&gt;Ninguém escreve ao Coronel&lt;/em&gt;, de Gabriel García Márques. O enredo é conhecido. O velho empobrecido Coronel espera, com resiliência, uma carta informando sobre a concessão de sua pensão, assim como a vitória de seu galo nas rinhas. Sua mulher, descrente com a espera e a miséria, deseja colocar o galo na panela. Penso em tudo isso enquanto observo os argumentos daqueles que defendem as políticas de austeridade. Imagino que a única pessoa a escrever para Fernando Haddad, depois que a desgraça tomar conta do país, seja Cesar Calejon. Dirá, na carta, que o Ministro se apresse em explicar os cortes para o miserável velho - &lt;em&gt;diga para o velho que espere, um pouco mais, a concessão de seu BPC&lt;/em&gt;. “Isso posto”, continuará -  &lt;em&gt;para acalmar sua úlcera, diga ao velho que atenda o desejo da velha esposa doente e sacrifique seu amado e magro galo&lt;/em&gt;. Não é difícil imaginar que a resposta do velho ao Ministro Fernando Haddad e ao seu fiel escudeiro, Cesar Calejon, terá o mesmo teor da resposta ofertada para sua amada esposa – VÁ À MERDA!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: Garamond, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif;"&gt;Referências &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Brasil. &lt;em&gt;Constituição da República de 1988&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;In: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Acesso em: 08/11/2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Brasil. Gov-Fazenda&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt; Perguntas e respostas sobre o Novo Arcabouço Fiscal. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;In: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2023/abril/confira-o-perguntas-e-respostas-sobre-o-novo-arcabouco-fiscal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Lei Complementar número 200, de 30 de agosto de 2023. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;In:&lt;/span&gt; &lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp200.htm"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp200.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;Acesso em 08/11/2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt;DATA-SUS. Tablenet. Vários dados municipais. In:https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet. Acesso em 08/11/2024.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt;Governo Federal. Brasil Eficiente. País Justo. Ministério da Fazenda. Brasília, 2024.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;IBGE. SIDRA. Vários dados demográficos. In: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://sidra.ibge.gov.br/home/ipca/brasil"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;https://sidra.ibge.gov.br/home/ipca/brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;. Acesso em 08/11/2024.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;INEP. Censo Escolar 2023. In: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/censo-escolar/resultados"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/censo-escolar/resultados&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;. Acesso em 08/11/2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;Marques, Gabriel Garcia. &lt;em&gt;Ninguém escreve ao Coronel&lt;/em&gt;. São Paulo, Record, 1968.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;MDS. Relatório. In:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt; &lt;span style="color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;https://aplicacoes.cidadania.gov.br/ri/pbfcad/relatorio-completo.html. Acesso em 08/11/2024.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif; color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt;Tadeu Alencar Arrais &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Observatório do Estado Social Brasileiro | &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Garamond',serif;"&gt;Professor Titular da UFG&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt;E-mail: tadeuarraisufg@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif; font-size: 12pt;"&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 107%; font-family: Garamond, serif;"&gt;ARRAIS, Tadeu Alencar. Ninguém, exceto Cesar Calejon, escreverá ao Ministro Haddad. Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, vol. 14, n.16, 15 de dezembro de 2024. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 15 Dec 2024 22:04:28 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/186951-niguem-exceto-cesar-calejon-escrevera-ao-ministro-haddad</link>
      <guid>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/186951-niguem-exceto-cesar-calejon-escrevera-ao-ministro-haddad</guid>
    </item>
    <item>
      <title>JUNHO, QUASE FINDA! </title>
      <description>&lt;img width="200" alt="sao joao isis" title="sao joao isis" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/Imagem_do_WhatsApp_de_2024-06-24_%C3%A0%28s%29_08.22.28_499dc095.jpg?1719278342" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Isis Maria Cunha Lustosa&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jura&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lida no punho&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Colheita&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO, eita é de...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Juntar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Festivo&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Canjica&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mugunzá&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aluá no arraiá&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bandeirolas no ar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Milho da agricultura familiar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agregar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sanfona, triângulo e gonguê&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Musicar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nordeste não esquece de doar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alumiar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fogueira&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Agrega três Santos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antônio do Pão! Viva Santo Antônio no 13 junino&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;João do Batismo! Viva São João no 24 junino&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pedro da Pesca! Viva São Pedro no 29 junino&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veste Chita de Minas Gerais&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Quadrilha com chita é Nordestina&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poetisa&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Prosa&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca te bate uma porta&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porteira aberta&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Meia dúzia de Cordel no cordão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poesia, grafia poética, crítica na mão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poema nas retinas&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tina na mente com tino&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Saúda os tímpanos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem estampido&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem fogos, por favor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Candura&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem sequelas de queimadura&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem bombinha&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De uma ruma de gente&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De gente atenta aos pets&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Decora com garrafa pet&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Festa! Saúde sua...nossa&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Festa! Saúde minha...vossa&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO  Forró, Xote, Xaxado e Baião&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Danças no salão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO na rima&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Anima&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sabor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Crítico e Poético&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O (No)sso litoral é para ir e vir sem catraca&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não privatiza praias&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Xô... expropriações&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não cala&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fala&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reinvidica&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aborta imposições&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Menina, olha o lindo balão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Menina, a brincadeira é junina&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Me(nina) não quer ninar neném&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além de tudo...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Festeja o festejo com luta&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Labuta&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JUNHO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Festas Juninas&lt;span style="font-family: 'Segoe UI Emoji',sans-serif;"&gt;🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Segoe UI Emoji',sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 11.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;Profa. Dra. Isis Maria Cunha Lustosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Segoe UI Emoji',sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 11.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;Coordenadora do CTurTI/REDE CTurTI América Latina. Pesquisadora Externa - Laboter/ IESA/UFG&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Segoe UI Emoji',sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 11.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;&lt;a href="mailto:isismclustosa12@gmail.com"&gt;isismclustosa12@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;LUSTOSA, Isis Maria Cunha. Junho, quase finda! Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, vol. 14, n.16, 24 de junho de 2024. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Segoe UI Emoji',sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 11.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 24 Jun 2024 22:21:10 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/182062-junho-quase-finda</link>
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    </item>
    <item>
      <title>SEMANA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE 2023: REFLEXÕES DE PÁSSAROS E ANOTAÇÕES SOBRE PLANTAS SUPRIMIDAS E MAUS-TRATOS NA EQN 208/209 DE BRASÍLIA</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Isis Lustosa" title="Isis Lustosa" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/EQN_208_209_Bras%C3%ADlia_DF__Foto_Isis_Lustosa._.jpeg?1687543147" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Isis Maria Cunha Lustosa &lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%; tab-stops: 148.85pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Desde já, pondero o conceito, “Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade”&lt;a href="#_edn1" name="_ednref1"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[i]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, o qual aparecerá ao longo da narrativa, o exato texto de opinião. Convém recordar:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; tab-stops: 148.85pt; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; tab-stops: 148.85pt; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Em 1972, a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – criou a Convenção do Patrimônio Mundial, para incentivar a preservação de bens culturais e naturais considerados significativos para a humanidade. O objetivo é permitir que o legado que recebemos do passado, e vivemos no presente, possa ser transmitido às futuras gerações. O conceito de Patrimônio Cultural da &lt;strong&gt;Humanidade&lt;/strong&gt; encerra o entendimento de que sua aplicação é universal. Os sítios do Patrimônio Mundial pertencem a todos os povos do mundo, independentemente do território em que estejam localizados.&lt;/span&gt;&lt;a href="#_edn2" name="_ednref2"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[ii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; (grifo meu).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; tab-stops: 148.85pt; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%; tab-stops: 148.85pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Suscito um debate no âmbito da categoria “Humanidade”. Portanto, não hesito em aventar: Brasília, Patrimônio Cultural das Multiespécies, título a ser discutido em outro escrito, ainda mais fundamentado que este, pois, as multiespécies me instigam nas provocações, como pesquisadora. As vejo, tais suscitações, bem necessárias, muito embora, compreenda o que significa um processo de “Patrimônio Cultural da Humanidade”. Todavia, há cerca de 51 anos, desde quando esta Convenção do Patrimônio Mundial foi criada pela UNESCO em 1972, os tempos mudaram, ainda mais, com a Pandemia da Covid-19, o que me leva a formular mais ajuizamentos, em parte, condiz à narrativa do crime ambiental a ser mencionado. Consta “Dos Crimes Contra a Flora [...] Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas [...] de logradouros públicos [...]”&lt;a href="#_edn3" name="_ednref3"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[iii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, conforme a “LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998 [...] sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente [...].”&lt;a href="#_edn4" name="_ednref4"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[iv]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%; tab-stops: 148.85pt;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%; tab-stops: 148.85pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A maior parte da humanidade, cada vez mais imperante, gera desmedidos crimes ambientais por seus processos antrópicos, dentre outras formas de maus-tratos, provocados aos seres animais e vegetais, e por que não dizer, também, aos humanos contrários aos crimes em questão. Assim, vamos para a abordagem a respeito da específica Área Verde da capital nacional, pois “Brasília é uma das maiores metrópoles do Brasil [...] com acervo arquitetônico, urbanístico e paisagístico [...]”&lt;a href="#_edn5" name="_ednref5"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[v]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, revela o &lt;em&gt;site &lt;/em&gt;do Instituto de Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (IPHAN). Enfatizo, portanto, o aspecto paisagístico. O mesmo instituto produziu a cartilha “Superquadra de Brasília: preservando um lugar de viver”, na qual se destaca: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando falamos em áreas verdes, comumente pensamos... Brasília... No contexto das superquadras, as áreas verdes visam dotá-las de uma paisagem serena e aconchegante provendo aos seus moradores um ambiente tranquilo e contato com a natureza, algo cada vez mais raro nas grandes metrópoles. Ali é o lugar das árvores de maior porte, de copas altas, frondosas e que ofereçam sombras generosas [...].&lt;/span&gt;&lt;a href="#_edn6" name="_ednref6"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[vi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A partir das reflexões iniciais, e, de ainda incidir o mês junho, representativo da Semana Mundial do Meio Ambiente, entre 5 e 9/6/2023, nesta última semana aludida, no exato feriado de &lt;em&gt;Corpus Christi&lt;/em&gt;, sentada ao ar livre, decidi contemplar uma das “áreas públicas e verdes” &lt;a href="#_edn7" name="_ednref7"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[vii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; – Entrequadra (EQ) – a específica EQN 208/209 – na Asa Norte de Brasília. Logo, na minha ponderação, relativa à última data 5/6/2023 – Dia Mundial do Meio Ambiente –, escolhi ler, para os seres vivos da fauna e flora local, o poema “Árvore”&lt;a href="#_edn8" name="_ednref8"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[viii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, do poeta Manoel de Barros. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Dentro do contexto da narrativa, o tema árvore, torna-se o cerne, portanto, com esmero resolvi eleger este poeta brasileiro, cuiabano, tão legítimo e sensível com as palavras, em analogia, o é quase um pássaro João-de-Barro ao declamar: “Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore; Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos; [...] o esplendor da manhã não se abre com faca”&lt;a href="#_edn9" name="_ednref9"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[ix]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, portanto, interagidos são, os seus fragmentos de textos, com os contextos ambientais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;De tal modo, neste sol com vento mais que fresco, pus o olhar na escolhida poesia “Árvore”, iniciava-a: “Um passarinho pediu ao meu irmão para ser uma árvore...” e, antes de seguir com a leitura, surpreendi-me em receber aquelas visitas ilustríssimas dos três tenores de penugem, os seres vivos não humanos, animais de asas, presentes de modo marcante na nossa referida Entrequadra, antes dos maus-tratos a eles, decorrentes da supressão das plantas. Naquele dia e hora, porém, estava diante os três pássaros! Foi um enorme prazer revê-los!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O primeiro no pouso, o gargalhaste, achegado João-de Barro, passarinho de ventre amarronzado. Ah! Como gargalha o nosso pássaro mais urbano, o construtor ou arquiteto, como queiram imaginá-lo pelas suas engenhosas “casas de barro”&lt;a href="#_edn10" name="_ednref10"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[x]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, ninhos desafiadores, seja único ou coletivo, como forno natural nas árvores, inclusas algumas da EQN 208/209. O outro cantante, o segundo avistado, nomeei-o relações-públicas, aquele que nos recebe toda manhã com o melodioso bem no bico, o peito amarelo, o belo Bem-Te-Vi. Para completar a tríade lírica dos passarinhos, também estava plena a ave símbolo do Brasil, o Sabiá-Laranjeira, o nosso interlocutor das relações internacionais. Ele, o despertador de penas, o pontual cantador em meio à madrugada. O pássaro de peito (semi terracota), semelhante o tom das casas de João-de-Barro, a cor do solo cerradeiro. Sabiá-Sábio, o madrugador, aconchega cedo o ninho contra o predador. Ele ecoa os seus arranjos musicais de Asa a Asa, Tesoura a Tesoura, Eixo a Eixo, Eixão a Eixão, Lago a Lago da capital nacional, ou melhor, canto pulsante em decibéis para o Distrito Federal (DF), pois, homenageia diariamente a sua patrimonial Brasília.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Então, os citados pássaros mais que especiais, de convívio íntimo na EQN 208/209,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;anterior ao impacto ambiental, voltaram em voo rasantes, bem esquivos à dita-cuja Entrequadra. Pousaram juntos na “Árvore” poema do poeta Barros, apoiada em minhas mãos. Os três, sem qualquer pressa individual de alçar voo, bicaram-me sem provocar traumas, nem maus-tratos, mas sim com a intimidade de moradores que somos na mesma cidade “Patrimônio Cultural da Humanidade”. Logo, diante aquele citado comentário do poema, reitero: “Um passarinho pediu ao meu irmão para ser uma árvore...”, o João, o Bem e o Sabiá, acomodados na página daquela poesia, disseram-me em nota musical melancólica: se nós três, seres vivos da fauna, tivéssemos, em 30/3/2023, pedido a alguém para sermos ‘árvore’ aqui na área pública verde – EQN 208/209 – de Brasília, teríamos sido finados, igualmente às nossas familiares da flora, algumas plantas sacrificadas, sem justificativa aceitável. Depois, encheram o peito de saudade! Silenciaram seus cantos por um minuto! Expiraram sem afobação! Continuaram a prosa comigo...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Prontamente, como pássaros determinados em suas territorialidades afetivas, e como animais “sencientes”&lt;a href="#_edn11" name="_ednref11"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xi]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, porque outros seres, além de nós humanos, também sentem, afirmaram-me suas posições por direito em legislações ambientais, patrimoniais, pois o que visualizaram os provocou maus-tratos, levando as árvores, as quais lhes servem de paradas para descanso dos voos, moradas, fontes alimentícias (nos casos das frutíferas), reduções de ruído e claridade, sem falar do ar que nos ofertam a todos os seres. Assim sendo, os amigos voadores e cantadores, pediram-me para eu parar a minha leitura, e relatar a mensagem deles, como ‘Carta-Canto-Afetuosa’ na Semana Ambiental. Desejaram, como seres da fauna, ressoar aquilo presenciado na data fatídica do último março, anteriormente citada, as mortes desnecessárias de seres vivos vegetais, antes de eliminados, eram parte do todo integrativo do espaço público – Área Verde.   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Segundo os cordiais pássaros, a &lt;em&gt;Ora-Pro-Nóbis&lt;/em&gt; (de tradução orai por nós), naquele funesto dia, antes da supressão-coletiva de plantas, incluindo-a, a cactácea trepadeira com lindas flores e folhas sucosas, se auto-traduzia na esperança de sensibiliz(ação) humana. Em cada golpe recebido da enxada amolada, os passarinhos disseram-me, que aquela familiar planta, urgia: orai por nós, ó Nossa Aparecida! Mãe-Padroeira dessa capital e país, salvai-me(nos)! (Toda)via, sem via de mudança na ação ilícita sem (autorização de órgão apropriado) – a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) –, suprimiram-na toda a Ora naquela hora, bem cedo da manhã! Interpretaram-na como apenas “matos”&lt;a href="#_edn12" name="_ednref12"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; ou arbustos sem valor?  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A Ora-Pro-Nóbis detém mais proteína que a carne! O Sabiá, nosso pássaro nacional, disse ter lido que “a mesma possui propriedades nutricionais, principalmente pelo alto teor de proteínas de alta qualidade, sendo uma alternativa fácil e barata para enriquecer a dieta.”&lt;a href="#_edn13" name="_ednref13"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xiii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Quanta ruína à planta que alimenta e mata fome por meio das folhas, a qual virou tão somente espécie morta a secar, bem esquecida, no gramado próximo da Escola Canarinho - Unidade Asa Norte. Até o canarinho voador lamentou a pseudo (limpeza)&lt;a href="#_edn14" name="_ednref14"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xiv]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; na Área Verde. Ato realizado à revelia da Novacap. Assim, virou entulho a pura proteína da nutricional Ora. Disse-me o Bem-Te-Vi, ser vivo do bem, ter escutado o &lt;em&gt;podcast&lt;/em&gt; sobre Ora-Pro-Nóbis por meio da Rádio Brasil de Fato: “Falando das propriedades nutricionais dela..., tem bastante proteína, lipídio, cálcio, fósforo, ferro, vitamina C, fibra.”&lt;a href="#_edn15" name="_ednref15"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xv]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; O pássaro ao vê-la arrancada do canteiro, a Ora-Pro-Nóbis, somente conseguiu expressar: bem Mal-Te-Vi. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A Chaya (de significado ‘vida, viver, vida longeva’), segundo leu o João-de-Barro, no Folheto Chaya da Secretaria de Saúde do DF, a(o) “hortaliça... arbusto grande...espinafre-arbóreo... boa fonte de proteína, ferro, cálcio e vitaminas A e C”&lt;a href="#_edn16" name="_ednref16"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xvi]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, também lutou para não ser morta junto à irmã-vegetal, a Ora-Pro-Nóbis, pois ambas são comumente parentas, como cientificamente nominadas – Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC’s). Fizeram-na, também, uma planta de valor nutricional expirada. A Chaya, popularmente, couve nos canteiros do Cerrado, foi eliminada com a sua “vida longeva”, deram-lhe, gratuitamente, a triste e trágica vida curta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;As Curicacas, como bem atentaram os três pássaros, são outras destacadas aves nesta área limítrofe EQN 208/209, inclusive como referência na imagem da placa oficial de identificação da SQN 209, ainda assim, perderam dois canteiros nutricionais, o da Ora e o da Chaya, fundamentais nos seus alimentos diários, durante suas caminhadas com os bicos compridos como aspiradores alimentares no solo. Naquele mesmo dia sinistro, conforme expressam o João, o Bem-Te-Vi e o Laranjeira, as parceiras Curicacas desorientaram-se até nos seus voos (diante os maus-tratos presenciados), pois só se alimentaram, igualmente a eles, os passarinhos, de muita tristeza. Foi ignorado por meio do ato brutal de supressões das plantas que os seres da flora e fauna são seres sencientes. Não somente os humanos sentem, reafirmam os pássaros! Até os “gatos comunitários”&lt;a href="#_edn17" name="_ednref17"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xvii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e cães passantes ou passeantes desta EQN, perceberam tamanha rudeza naquela flora, o que significa maus-tratos aos seres vivos vegetais e animais presentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Os passarinhos disseram-me que o pé de (Aba)cateiro, frutífera abatida, antes de morrer, julgou desnecessário suprimi-la. Ainda ecoou, segundo escutou o Sabiá, eu, Árvore (Aba)cateiro, (aba)rcaria abacates e distintas vidas! Ó Dom Bosco, levaram-me a minha aba e de outras vidas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;As (Amor)eiras, igualmente frutíferas extintas, perderam o trieto do amor, fincado no nome da árvore, na Flor-da-(Amor)a e no fruto (Amor)a. Além de matarem juntos os seus corações-verdes presentes no formato de suas folhas. Sangraram-nas, as amoras, a Amoreira chorou rubro. Sem elas, os tenores João-de-Barro, Sabiá-Laranjeira, Bem Te Vi, singulares nesta EQN afetada, tornaram-se órfãos de amor, e sem a eira de algumas sombras com alimentos, como as suculentas e mimosas Amoras. Os seres voantes mudaram alguns dos seus cursos diários nas buscas de alimentos para si e seus filhotes nos ninhos. Isso se os ninhos não se foram? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Nossos passarinhos, sensivelmente abalados, também, falaram-me daquele ornamental Jasmim-Manga, onde – Jasmim – significa: “Dádiva de Deus”&lt;a href="#_edn18" name="_ednref18"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xviii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, mas nem esta dádiva foi poupada. &lt;em&gt;Corpus Christi&lt;/em&gt; atual, na Semana Ambiental, sem aquelas árvores!  Portanto, ficou esta outra planta morta, ainda mais sentimental, pois o seu perfume de jasmim com manga, quando ela detinha vida, virou olor, quando morta sem perfumar mais, aquela comovida “Área Verde”, nos olhares de alguns poucos, incluindo-me, a área chorou. Nem mesmo o Alma-de-Gato por aqui mais miou com o excepcional canto felino, sendo-o, um pássaro com linda cauda em leque na paisagem. Cada abertura da comprida cauda é uma nuance em arte e plumagem. Em memória ao ocorrido o Alma-de-Gato manteve a cauda fechada como pesar pelas plantas eliminadas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Convém referir outra exclusão incabível na Entrequadra. Segundo o Sabiá-Laranjeira houve eliminação da herbácea Açafrão-da-Terra, codinome “Ouro do Cerrado...”&lt;a href="#_edn19" name="_ednref19"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xix]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Os três pássaros da prosa fundamentada concordam com os estudos científicos da mesma “Curcuma Longa.”&lt;a href="#_edn20" name="_ednref20"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xx]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Assim, por meio da orquestra coletiva, anunciaram em canto, trecho singular com refrão da planta Açafrão: “Possui diversas atividades farmacológicas, [...] tais como; atividades anti-inflamatória, antiviral, antibactericida, antioxidante, antifúngica, anticarcinogênica, entre outras ações [...].”&lt;a href="#_edn21" name="_ednref21"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxi]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Quanto descaso ao “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;aproveitamento das plantas medicinais [...] um patrimônio de valor incalculável [...].”&lt;a href="#_edn22" name="_ednref22"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Os passarinhos, ainda sensibilizados, não se esqueceram de corroborar o sentimento de perda da leguminosa arbustiva, o Feijão Guandu, extinguida sem dó.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Espera-se nunca mais na EQN 208/209 – Área Pública Verde – ocorra o descaso impacto ambiental, datado em 30/3/2023. Tomara o pé de Mamona Vermelha, tão luzente, bem marcante, a qual ali restou, dentre outras amostras, por sorte da denúncia, protejam-nos de outro capinar sem sentido e, nem autorização prévia, como aconteceu no referido espaço público da capital do país "Brasília..., triplamente reconhecida enquanto patrimônio cultural: protegida pelo Governo do Distrito Federal, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco."&lt;a href="#_edn23" name="_ednref23"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxiii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;xemplares da basilar vegeta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;çã&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;o sentiram, pois reafirmo que plantas sentem, e sofreram com a brutalidade da encomenda do arrancar por meio da enxada ou afim, ato indiferente às referidas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;á&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;rvores frut&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;í&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;feras, permitidas no projeto paisag&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;í&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;stico desta &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;cidade-parque&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;” (IPHAN, 2015).&lt;a href="#_edn24" name="_ednref24"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxiv]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Exemplos de dois exemplares suprimidos, a Amoreira e o pé de Abacateiro. Al&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;m do sacrif&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;í&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;cio de PANC’s, a Ora-Pro-Nóbis e a Chaya, extintas diante outros seres vegetais, animais e alguns humanos sensibilizados (perto ou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;à&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; dist&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;â&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;ncia). Sem esquecer a Jasmim-Manga, Açafrão e Guandu, mencionados. Entrequadra esta, tornada cemit&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;rio a c&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;u aberto, inaceit&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;á&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;vel ação, disseram-me os três pássaros “habitantes”&lt;a href="#_edn25" name="_ednref25"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxv]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; com quem conversei, e, me incluo com ele sentir. Convém uma reflexão da citação seguinte na Figura 1:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/Picture1.png" alt="novacap" width="400" height="299" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Figura 1&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;: Trecho da Novacap no tema arborização.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Esta área p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;ú&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;blica, EQN 208/209, tamanha mácula ambiental, patrimonial, social, dentre outras provocadas no funesto dia, merece um &lt;strong&gt;MARCO DE ALERTA&lt;/strong&gt;, pois al&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;m de Área Verde das multiespécies, agrega “Pr&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;á&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;tica Integrativa em Saúde (PIS)”&lt;a href="#_edn26" name="_ednref26"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxvi]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, oferecida para a comunidade do entorno ou geral, a qual não foi considerada, pois as árvores suprimidas e outros seres não humanos levados aos maus-tratos, como os pássaros que evadiram do local, eram todos integrativos juntos a prática em saúde na área impactada. Cito-a, a PIS em questão, pois sou parte da comunidade, como habitante de Brasília (dezoito anos) na vizinha SQN 208. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Findo com a opinião na condi&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;çã&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;o de brasileira, habitante e educadora, respaldando-me no direito de expressão de captar a visão dos pássaros a partir da po(ética), e, servir como transcritora das narrativas dos honrados João-de-Barro, Bem-Te-Vi, Sabiá-Laranjeira, os quais trouxeram-me os seus comentários fundamentados para reflexões na semana e mês do meio ambiente, pois os pássaros “têm habilidades surpreendentes: noção de tempo, reconhecimento de passado e futuro, [...], senso de direção, memória de longa duração e capacidade de aprender novos comportamentos por observação social.”&lt;a href="#_edn27" name="_ednref27"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxvii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Portanto, é um direito constitucional expressar, disseram-me os nossos conviventes pássaros, pois para eles o meio ambiente é planta/bicho ou bicho/planta. E, sem esquecer, também, gente! Vide “Art. 225. Capítulo VI Do Meio Ambiente”&lt;a href="#_edn28" name="_ednref28"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxviii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Luto, em memória, ao amor findado das Amoreiras; a aba abolida do Abacateiro; ao refrão cortado do Açafrão e Feijão; ao aroma perdido do Jasmim-Manga; ao Orai por Nós negado a Ora-Pro-Nóbis e a vida abreviada da longeva Chaya – pois, eu, luto, por meio da poesia “Árvore” de Barros. Cantam os Paralamas: “O Poeta é a pimenta do planeta (Malagueta).”&lt;a href="#_edn29" name="_ednref29"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxix]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Obrigada Manoel de Barros por nos ajudar, os meus amigos ilustres pássaros, os quais pousaram quase em mim, mas acertaram o ponto, o seu poema “Árvore” com o título que lhes chamou a atenção. Assim, eles e, eu, findamos, com tua outra passagem para reflexão no mês junho da semana ambiental do recente &lt;em&gt;Corpus Christi&lt;/em&gt;: “Queria que a minha voz tivesse um formato de canto”&lt;a href="#_edn30" name="_ednref30"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxx]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Sublime poeta, conseguimos, pois tivemos por meio do seu poema referido, a visita daqueles de quem escutamos o(s) “canto(s)” genuinamente gratuitos, sublimes como és, soltos para nós ao vento nesta Entrequadra, os nossos tenores – Joãozinho, Sabiázinho e o Bem-Te-Vizinho, pássaros que amenizam aquelas dores em nós das árvores suprimidas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;PoetIsis na vida! (Poe)sia põe reflexão, anotação... É o meu encantamento! Primo no poetizar o compromisso contra os maus-tratos aos seres animais, vegetais e humanos em situações de vulnerabilidade. Cativada por plantas, ênfase em medicinais, desde a experiência profissional no âmbito da Educação em Saúde Pública, com oportunidade de aprendizado – “Farmácias Vivas”&lt;a href="#_edn31" name="_ednref31"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxxi]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; – com o Prof. Dr. Francisco José de Abreu Matos&lt;a href="#_edn32" name="_ednref32"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxxii]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (em memória). Sublime docente, quase um poeta junto aos fitoterápicos da Universidade Federal do Ceará (UFC). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Desde 1999, mesmo nas Ciências Humanas e Sociais, não posso abolir vivências anteriores na Saúde Pública, nem toda prática com projetos socioambientais e culturais no Ministério do Meio Ambiente (MMA) por cinco anos, pois ambiente e saúde cursam juntos. Os dois últimos parágrafos acima não desejo ser ostentadora de formação, mas esclarecedora do livre-arbítrio em tecer o escrito sem que transpareça uma abordagem do senso comum. Até pelo fato daqueles apontamentos, transcritos dos relatos dos seres da fauna que pousaram no poema “Árvore”, demonstrar a quebra do paradigma que os pássaros não sentem, pois: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0cm 4.0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Não muito tempo atrás, as aves eram vistas como animais de inteligência pouco refinada. Delas, invejava-se apenas o voo e a leveza. Essa, no entanto, não parece ser a realidade. Nas últimas duas décadas, os trabalhos de campo e em laboratórios pelo mundo têm revelado exemplos de espécies de pássaros com capacidade cognitiva comparável a dos primatas. O livro “A inteligência das aves”, de Jennifer Ackerman, vem mostrar essas descobertas, abrindo o leque do comportamento animal e dos estudos científicos que demonstram a genialidade das aves.&lt;/span&gt;&lt;a href="#_edn33" name="_ednref33"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxxiii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;Quiçá ouçamos mais os três pássaros, dentre tantos outros nas nossas Entrequadras da “humanidade” em Brasília, pois os passarinhos exercem territorialidades excepcionais diante de nós. O bico traz a oferta da arte no canto, voo, prática alimentar, defesa contra predador, o admirável e natural modo de vida. Os pássaros são canetas coletivas de penas, as quais escrevem nos livros – árvores – nas suas raízes, troncos, galhos, folhas, frutos e canteiros, ou seja, tingem os apontamentos para os demais seres não humanos e humanos. É uma questão de sensibilidade... lê-los. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;No ensejo para que toda semana seja mais ambiental!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Isis Maria Cunha Lustosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Pesquisadora do Laboter/IESA/UFG. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Membro do “Proyecto UBACYT”, Facultad de Filosofía y Letras (FFyL) da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Universidad de Buenos Aires (UBA)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman, serif;"&gt;E-mail: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;a href="mailto:isismclustosa12@gmail.com"&gt;isismclustosa12@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: right; line-height: normal;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref1" name="_edn1"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[i]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www4.planalto.gov.br/restauracao/brasilia-patrimonio-cultural-da-humanidade"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;http://www4.planalto.gov.br/restauracao/brasilia-patrimonio-cultural-da-humanidade&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref2" name="_edn2"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[ii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Idem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref3" name="_edn3"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[iii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; BRASIL. LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref4" name="_edn4"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[iv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;Idem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref5" name="_edn5"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[v]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Brasília (DF). Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/31"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/31&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref6" name="_edn6"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[vi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Superquadra de Brasília: preservando um lugar de viver. Organização e coordenação Carlos Madson Reis, Sandra Bernardes Ribeiro e Francisco Ricardo Costa Pinto; texto, Claudia Marina Vasques &lt;em&gt;et al&lt;/em&gt;. Brasília-DF, 2015&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref7" name="_edn7"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; color: black;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt;[vii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: #212529;"&gt;ENDEREÇOS DE BRASÍLIA: ENTENDA AGORA COMO FUNCIONAM! Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://blog.quadraimob.com.br/enderecos-de-brasilia/"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;https://blog.quadraimob.com.br/enderecos-de-brasilia/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt;Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref8" name="_edn8"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[viii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; "ÁRVORE" DE MANOEL DE BARROS..... Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.recantodasletras.com.br/homenagens/1868057"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.recantodasletras.com.br/homenagens/1868057&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref9" name="_edn9"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[ix]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; LEITE, Carlos William. Os dez melhores poemas de Manoel de Barros. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.revistabula.com.br"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;www.revistabula.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref10" name="_edn10"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[x]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; LUSTOSA, Isis Maria Cunha.  As “casas” do joão-de-barro, o cotidiano urbano e as “firulas” copa da FIFA 2014, cidade-sede e cidade parque. Revista Territorial - Goiás, v.2, n.2, p.08-27, jul./dez. 2013.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; background: white;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref11" name="_edn11"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; color: black;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt;[xi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt; SILVESTRE, Gilberto Fachetti; LORENZONI, Isabela Lyrio; HIBNER, Davi Amaral. A&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt; tutela jurídica material e processual da senciência animal no ordenamento jurídico brasileiro: Análise da legislação e de decisões judiciais&lt;strong&gt;. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/RBDA/issue/view/1629"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: black; text-decoration: none;"&gt;Revista Brasileira de Direito Animal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; color: black;"&gt;, Salvador, v. 13, n. 1, pp. 55-95, jan-abr 2018.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref12" name="_edn12"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; PAGOTTO, Claudia Kraus; TESSMANN, Juliane Regina. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;KUHN, Graciele de Oliveira. Ora-pro-nóbis: Propriedades e Aplicações. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://repositorio.ifsc.edu.br/handle/123456789/2286"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://repositorio.ifsc.edu.br/handle/123456789/2286&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref13" name="_edn13"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xiii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Idem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref14" name="_edn14"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xiv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Termo utilizado pelo contratante/simpatizantes na contratação do serviço (capinar) sem autorização da Novacap, os quais  em parte colaboraram com recurso para a “Vakinha com K” a servir como pagamento de um jardineiro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref15" name="_edn15"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; “CARNE VEGETAL”. Ora-pro-nóbis: fonte de proteínas e rica em minérios, planta é opção saudável e barata à carne. Rádio Brasil de Fato. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/02/21/ora-pro-nobis-fonte-de-proteínas-e-rica-em-minerios-planta-e-opcao-saudavel-e-barata-a-carne"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.brasildefato.com.br/2023/02/21/ora-pro-nobis-fonte-de-proteínas-e-rica-em-minerios-planta-e-opcao-saudavel-e-barata-a-carne&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 15 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref16" name="_edn16"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xvi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; FOLHETO CHAYA. FARMÁCIA VIVA DO CERPIS/ julho 2019. Roda de conversa sobre plantas medicinais. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.saude.df.gov.br"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;www.saude.df.gov.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref17" name="_edn17"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xvii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; LEI Nº 6.612, DE 02 DE JUNHO DE 2020 (Autoria do Projeto: Deputado Daniel Donizet). Dispõe sobre animais comunitários no Distrito Federal e dá outras providências. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.sinj.df.gov.br/sinj/Norma/74ce2a32c71c4c5597c9363498be1282/Lei_6612_02_06_2020.html"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.sinj.df.gov.br/sinj/Norma/74ce2a32c71c4c5597c9363498be1282/Lei_6612_02_06_2020.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref18" name="_edn18"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xviii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Jasmim – lendas e significados espirituais desta flor. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.greenme.com.br"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;www.greenme.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref19" name="_edn19"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xix]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; A LAVOURA 725. O “Ouro do Cerrado Goiano”. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://alavoura.com.br/biblioteca/a-lavoura-725/o-ouro-do-cerrado-goiano/"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://alavoura.com.br/biblioteca/a-lavoura-725/o-ouro-do-cerrado-goiano/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 15 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref20" name="_edn20"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xx]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; MARCHI, Juliana Pelissari &lt;em&gt;et al&lt;/em&gt;. CURCUMA LONGA L., O AÇAFRÃO DA TERRA, E SEUS BENEFÍCIOS MEDICINAIS. Arq. Ciênc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 20, n. 3, p. 189-194, set./dez. 2016.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref21" name="_edn21"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Idem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref22" name="_edn22"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; FARMÁCIA VIVA. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2020/03/Farmacia-Viva.pdf"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2020/03/Farmacia-Viva.pdf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 15 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref23" name="_edn23"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxiii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; RODRIGUES, Gizella. Dois eixos e uma cidade única. Agência Brasília. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://agenciabrasilia.df.gov.br/2019/05/16/o-cruzamento-de-dois-eixos-e-uma-cidade-unica/"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://agenciabrasilia.df.gov.br/2019/05/16/o-cruzamento-de-dois-eixos-e-uma-cidade-unica/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref24" name="_edn24"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxiv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Superquadra de Brasília: preservando um lugar de viver. Organização e coordenação Carlos Madson Reis, Sandra Bernardes Ribeiro e Francisco Ricardo Costa Pinto; texto, Claudia Marina Vasques &lt;em&gt;et al&lt;/em&gt;. Brasília-DF, 2015&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref25" name="_edn25"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxv]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;  PLURAL CURITIBA. Redação Plural.jor.br. “A inteligência das aves” entende que pássaros têm habilidades incríveis. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/livros/a-inteligencia-das-aves-entende-que-passaros-tem-habilidades-incriveis/"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/livros/a-inteligencia-das-aves-entende-que-passaros-tem-habilidades-incriveis/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref26" name="_edn26"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxvi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Práticas Integrativas em Saúde (PIS). Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/72090/Folder+%E2%80%93+GERPIS.pdf/b7a42625-55af-0e06-2afd-830c804fcdd3?t=1648439101820"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/72090/Folder+%E2%80%93+GERPIS.pdf/b7a42625-55af-0e06-2afd-830c804fcdd3?t=1648439101820&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref27" name="_edn27"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxvii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; PLURAL CURITIBA. Redação Plural.jor.br. “A inteligência das aves” entende que pássaros têm habilidades incríveis. Disponível em: https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/livros/a-inteligencia-das-aves-entende-que-passaros-tem-habilidades-incriveis/. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref28" name="_edn28"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxviii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref29" name="_edn29"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxix]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; Os paralamas do sucesso. Assaltaram a gramática. Disponível em: www.cmtv.com.br. Acesso em: 25 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref30" name="_edn30"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxx]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; LEITE, Carlos William. Os dez melhores poemas de Manoel de Barros. Disponível em: www.revistabula.com.br. Acesso em: 20 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref31" name="_edn31"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxxi]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; RODRIGUES, Paulo Marcelo Martins. As farmácias vivas no ciclo da assistência farmacêutica: histórico e evolução.  Escola de Saúde Pública do Ceará. Gerência de Educação Permanente em Saúde – GEDUC. Fortaleza: Escola de Saúde Pública do Ceará, 2022.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref32" name="_edn32"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxxii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; “A criação das Farmácias Vivas pelo Professor Francisco José de Abreu Matos foi inspirada nos princípios defendidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).” Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2020/03/Farmacia-Viva.pdf"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2020/03/Farmacia-Viva.pdf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;. Acesso em: 15 abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ednref33" name="_edn33"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;[xxxiii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt; PLURAL CURITIBA. Redação Plural.jor.br. “A inteligência das aves” entende que pássaros têm habilidades incríveis. Disponível em: https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/livros/a-inteligencia-das-aves-entende-que-passaros-tem-habilidades-incriveis/. Acesso em: 25 de abril 2023.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;LUSTOSA, Isis Maria Cunha. Semana Mundial do Meio Ambiente 2023: reflexões de pássaros e anotações sobre plantas suprimidas e maus-tratos na EQN 208/209 de Brasília-DF. &lt;em&gt;Caderno Territorial&lt;/em&gt;, vol. 13, n.15, 23 de junho de 2023. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 23 Jun 2023 15:14:46 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/171227-semana-mundial-do-meio-ambiente-2023-reflexoes-de-passaros-e-anotacoes-sobre-plantas-suprimidas-e-maus-tratos-na-eqn-208-209-de-brasilia</link>
      <guid>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/171227-semana-mundial-do-meio-ambiente-2023-reflexoes-de-passaros-e-anotacoes-sobre-plantas-suprimidas-e-maus-tratos-na-eqn-208-209-de-brasilia</guid>
    </item>
    <item>
      <title>SEM O SUS, A BARBÁRIE: A GRANDE LIÇÃO DA PANDEMIA</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Imagem_Jean" title="Imagem_Jean" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/WhatsApp_Image_2023-06-14_at_11.30.40.jpeg?1686753491" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Jean Carlos Ribeiro de Lima&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Penso que seja oportuno iniciar este texto com uma afirmação seguida de perto por uma questão fundamental: “nós, os que hoje estamos vivos, nunca enfrentamos uma ameaça como o novo coronavírus. Se tantos repetem que o mundo nunca mais será o mesmo, qual é então o mundo que queremos?”. A afirmação, que também é uma reflexão importante, é de Eliane Brum, escritora e colunista do periódico eletrônico El País. Expostas em artigo de opinião intitulado O futuro pós-coronavírus já está em disputa: como impedir que o capitalismo, que já nos roubou o presente, nos roube também o futuro? tanto a afirmativa quanto a indagação surgem como correspondentes narrativos. Brum (2020) lança luz à hipótese de que a ameaça iminente da Covid-19 nos colocou em uma situação em que o risco maior não é a deterioração do aspecto econômico, mas o retorno à “normalidade”. Retorno este que não se define por meio dos atos cotidianos e das atividades ordinárias que constituem o ritual de nossa existência diária. Embora estejamos convictos que muitas pessoas, efetivamente aquelas mais afetadas pela pandemia, em particular a classe trabalhadora e os pobres, o processo de readaptação será mais difícil e demorado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;É evidente que a condição mencionada de recrudescência à “normalidade” após a pandemia é a do comodismo político e a do embrutecimento social, faces da mesma moeda de um sistema que segrega e deixa vulneráveis os mais pobres. Diante disso, é preciso reforçar a tese de Brum (2020): “o pior que pode nos acontecer depois da pandemia será justamente voltar à normalidade”. E parece que isto tem, de fato, acontecido. Os números tem mostrado que a tese de Brum, exposta no seu referido artigo em 2020 tem, infelizmente, se concretizado. A fome, a miséria, o racismo, o desemprego, a violência, o ódio e o desprezo pelos pobres na sociedade brasileira tem se tornado cada vez mais profundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Em sintonia com o pensamento de Brum, hoje visivelmente uma realidade no Brasil, imagino que a pandemia da Covid-19 tenha deixado uma grande lição para todos nós: que sem o Sistema Único de Saúde (SUS), estaríamos vivenciando um estado de extrema barbárie em decorrência da avassaladora velocidade das mortes causadas pelo coronavírus. São 669 mil vidas perdidas[1], dizem os números oficiais. Não tenho dúvidas, que este número seria infinitamente maior, se não fosse o SUS no Brasil. E aqui, vejo como importantíssimo discutirmos um pouco a história e toda a dinâmica, os problemas e as potencialidades de um sistema de saúde universal que é referência no mundo todo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Afinal de contas, o que é o SUS? O Sistema Único de Saúde foi instituído na Constituição de 1988, também conhecida por “Constituição Cidadã”. O art. 196, Seção II garante que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (CF, 1988, grifo nosso). No respectivo artigo, fica evidente o princípio da universalidade e da igualdade de acesso aos serviços de saúde pública a todos os brasileiros. O art.198 garante que “as ações e os serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único de saúde(CF, 1988, grifo nosso). Por este artigo, em particular, observa-se a integralidade dos serviços de saúde embutidos em um sistema universal e único, que prevê a oferta de serviços de saúde pública de forma gratuita e de qualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Para o médico Dráuzio Varela, “com a criação do SUS, a saúde deixa de ser um problema individual e passa a ser um bem público”. Idealizado a partir da Constituição Federal de 1988, mas somente instituído e formalizado pela Lei 8.080 de 1990, o SUS representou significativas mudanças no sistema de saúde pública no Brasil. Antes da criação do SUS, a saúde pública ficava a cargo do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS), criado em 1977. E aqui está a importância do SUS. Nos tempos do INAMPS, o atendimento e o acesso aos serviços públicos de saúde só eram concedidos aos trabalhadores ativos de carteira assinada. Isto é, pessoas que não tinham empregos formais, não tinham acesso à saúde pública como temos hoje. Pessoas sem carteira assinada (a grande maioria trabalhando na informalidade) e desempregadas, caso precisassem de serviços de saúde, tinham que, ou procurar a iniciativa privada e alguns parcos serviços oferecidos por alguns municípios e Estados, ou então algum serviço de assistência médica comunitária, como as Santas Casas de Misericórdia ou os hospitais universitários.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Nesse sentido, a saúde não era considerada um direito, e sim um problema individual. A gradual extinção do INAMPS e a consequente criação do SUS foi resultado de um processo de reivindicação popular por direito e acesso à saúde pública e por uma questão de ordem econômica: os recursos disponibilizados já não eram suficientes e os repasses aos Estados e municípios feitos pelo Instituto não eram bem definidos, estruturados e devidamente geridos. Assim, reforça o Dr. Dráuzio Varela que, em 1993, “o INAMPS foi extinto com a Lei n° 8.689, em meio a um processo gradual de implementação da saúde pública integral e universal que vinha sendo construída antes mesmo da criação do SUS, por meio de uma série de projetos que culminaram no sistema que conhecemos hoje”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. De acordo com sua funcionalidade, o sistema “abrange desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país”. Nesse sentido, um dos princípios básicos do SUS é proporcionar o acesso universal ao sistema público de saúde, sem qualquer tipo de discriminação. Além disso, o SUS busca integrar um modelo de saúde pública que priorize os cuidados assistenciais, como prevenção e promoção da qualidade de vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;A rede que compõe o SUS é ampla. Engloba a atenção primária, média[2] e alta complexidades[3], os serviços urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica. As ações e os serviços de saúde fornecidos e aplicados pelo SUS envolvem a participação dos três entes da federação: a União, os Estados e os Municípios. Do ponto de vista de sua estrutura administrativa e funcional, o SUS é gerido pelo Ministério da Saúde que é responsável por formular, normatizar, fiscalizar, monitorar e avaliar as ações e as políticas próprias, em consonância com o Conselho Nacional de Saúde (CNS). Na esfera estadual, o SUS é gerido e administrado pelas Secretarias Estaduais de Saúde, cabendo a estas a tarefa de formular políticas e ações de saúde pública, bem como prestar apoio aos munícipios por meio da articulação com o Conselho Estadual de Saúde (CES). Na ponta, temos as Secretarias Municipais de Saúde, responsáveis por planejar, organizar, controlar, avaliar e executar as ações e políticas necessárias no âmbito da saúde pública, em harmonia com o Conselho Municipal de Saúde (CMS).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Para funcionar na prática, o SUS necessita de alguns mecanismos fundamentais. Tais mecanismos nada mais são do que a hierarquização e regionalização, descentralização e comando único, e, por fim, a participação popular. Hierarquização e regionalização são processos que envolvem a oferta de serviços de saúde (atendimentos, emergências, tratamentos, procedimentos cirúrgicos etc.) que vão dos mais simples aos mais complexos, ou seja, em disposição crescente. Além disso, na aplicação desses serviços, deve-se levar em consideração as condições estruturais e físicas de cada região, de cada população e da comunidade local. Quanto à descentralização e comando único, estes devem funcionar para dinamizar e democratizar os serviços públicos de saúde em todo território brasileiro. A partir disso, a máxima da descentralização busca, no âmbito das responsabilidades e do poder, de redistribuir as operações e ações entre os entes da federação, fazendo com que haja autonomia de estados e municípios na promoção de estratégias, medidas e ações no âmbito da saúde. Quanto à participação popular, esta deve atuar diretamente e democraticamente na formulação de políticas públicas e estratégias que visem melhor atender às necessidades da população no que se refere à saúde pública.       &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Os princípios que regem o SUS, do ponto de vista de sua substância são: a) universalização, b) equidade e c) integralidade. O primeiro diz respeito ao direito de todos os cidadãos terem acesso à saúde pública, gratuita e de qualidade, como dever constitucional do Estado, sem qualquer forma de discriminação. O segundo confere ações e práticas no conjunto da sociedade, com o objetivo de diminuir as desigualdades de acesso aos serviços de saúde pública, investindo maior atenção às populações mais carentes e vulneráveis. O terceiro e último, pressupõe a adoção de medidas e ações efetivas de saúde pública, aliada a outras áreas, setores e políticas públicas, como o meio ambiente, saneamento básico e planejamento urbano, saúde do trabalhador, assistência terapêutica e farmacêutica, entre outras.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Entre outras formas, os recursos financeiros destinados ao SUS são geridos pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS), fundo este de responsabilidade do Governo Federal, mais especificamente do Ministério da Saúde. Dentre outras formas de repasse (Convênio, Contrato de Repasse, Termo de Execução Descentralizada), os recursos do FNS são transferidos aos Estados e municípios de forma descentralizada, também por meio de um fundo – Fundo Estadual de Saúde (FES) e Fundo Municipal de Saúde (FMS). A fiscalização dos gastos dos respectivos fundos compete aos respectivos Conselhos de Saúde, cada qual a seu ente federado. O recurso do FNS é repassado na proporção de 50% aos Estados e municípios, cabendo a estes a responsabilidade de arcar com a outra metade, isto é, os outros 50%. Conforme dados do Portal da Transparência (2021), foram repassados cerca de R$102,49 bilhões de reais no ano de 2021. Esse valor corresponde a 2,80% dos gastos públicos do governo. O valor colocado à disposição do SUS pelo Ministério da Saúde se deveu, em grande medida, às ações frente à pandemia da Covid-19.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Em outubro de 2019, o periódico científico The Lancet (ING) publicou um artigo sobre o processo de implementação e expansão do Sistema Único de Saúde (SUS). Liderado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, o artigo se intitulava Sistema Único de Saúde do Brasil: os primeiros 30 anos e as perspectivas para o futuro. O artigo, resultado de um estudo aprofundado sobre saúde pública em diversos países do mundo, contou também com a participação da pesquisadora brasileira Ligia Giovanella (médica e doutora em saúde pública), da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), instituição ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O estudo e, consequentemente o artigo, deixam claro que o “SUS contribuiu para melhorar a saúde e o bem-estar da população brasileira, além de reduzir as iniquidades e desigualdades em saúde, mas traz uma mensagem muito clara sobre as ameaças presentes". Tais ameaças referem-se às medidas de austeridade fiscal introduzidas em 2016 pela Emenda Constitucional 95 (PEC 241/2016 – PEC 55/2016), que ficou mais conhecida como “PEC do Teto” ou “PEC da Morte”.  Segundo as conclusões do estudo, a imposição de austeridade fiscal limita a expansão e a sustentabilidade do SUS, a médio e longo prazos. Além disso, ficou comprovado que os impactos provocados pela EC-95 atingem em cheio certos indicadores de saúde pública, como, por exemplo, a mortalidade infantil, a proporção relativa e absoluta de partos, consultas e pré-natais, cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) e a mortalidade por doenças cardiovasculares.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Ligia Giovanella adverte ainda que os impactos negativos com a piora dos indicadores de saúde podem ser ainda maiores do que os cenários analisados no estudo, uma vez que as projeções são tímidas e conservadoras. De acordo com a pesquisadora brasileira, “os programas de austeridade fiscal afetam de forma negativa o SUS e pioram as desigualdades – que já são enormes. As ameaças são sérias e o perigo de retrocesso pode ser muito maior do que os dados analisados mostram”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Apesar do alerta, os pesquisadores, por meio do estudo, insistem na defesa e nos benefícios do SUS para a toda população brasileira, principalmente para os mais pobres. E não é apenas isso. O estudo reconhece que “o SUS é exemplo de uma grande experiência internacional exitosa de acesso à atenção à saúde por meio de um sistema público, ainda que existam limitações”. Desse modo, fica patente que, possuir um sistema público de saúde, financiado por recursos públicos, é uma estratégia adequada e necessária para alcançar a universalização e a democratização do acesso à saúde pública no Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Por fim, a publicação do estudo traz recomendações importantes para garantir a sustentabilidade do SUS, evitar a deterioração dos resultados em saúde e a ampliação das desigualdades em saúde: a) manter os princípios do SUS, b) assegurar o financiamento público suficiente e a alocação eficiente de recursos no SUS, c) fornece os serviços através de uma rede integrada, d) desenvolver um novo modelo de governança interfederativa, e) expandir os investimentos no setor saúde e fortalecer as políticas econômicas, tecnológicas, industriais e sociais e marcos regulatórios para a produção e a avaliação de tecnologias e serviços de saúde e f) promover o diálogo social com os diferentes atores do governo, os trabalhadores do SUS, a academia e a sociedade civil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;O direito à saúde pública no Brasil tem um marco histórico: a Constituição de 1988. Antes dela, o que existia era uma rígida divisão de acesso à saúde condicionada por uma forte segmentação de classes. Para Ciro Gomes (2020), no Brasil havia três castas: os que podiam pagar por serviços privados de saúde (internações, exames, tratamentos, etc.), os que tinham carteira assinada com direito à saúde pública e cerca de 80% da população, que não possuía direito algum.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;De acordo com Ciro Gomes (2020), o problema principal do SUS é a falta de recursos crônica, isto é, o subfinanciamento. Por mais que se divulgue massivamente que os recursos públicos destinados para o SUS são expressivos e vultosos, quando posto em comparação com outros países da OCDE, a título de exemplo, superamos apenas a Turquia e o México. Para se ter uma vaga ideia, o NHS (National Health Service), que é o serviço nacional de saúde britânico, responde por 83,5% do gasto do Reino Unido na área. Esse agravante do subfinanciamento do SUS tende a aumentar ainda mais principalmente com o congelamento dos gastos públicos gerado pelo teto constitucional. Se assim permanecer e não houver o quanto antes a revogação dessa medida o sistema entrará em colapso em mais um ou dois anos, afirma Ciro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Alguns problemas enfrentados pelo SUS precisam ser superados a partir do esboço de propostas práticas que sejam eficientes. No tocante à carência de médicos, possibilitar maior oferta nas especialidades com insuficiência de profissionais na rede pública de saúde (clínico geral, anestesista, pediatra, médico intensivista, etc.). Além disso, é preciso que haja a devida e merecida formalização dos planos de carreira dos profissionais da saúde, dando maior segurança no trabalho e estabilidade profissional. Outro grande desafio a ser enfrentado é a do preço dos medicamentos. Em grande escala, o custo da química fina, isto é, da matéria-prima utilizada para a fabricação de boa parte dos medicamentos é muito elevado. Se o medicamento custa caro, isso dificulta e até mesmo impossibilita, para uma gigantesca parcela da população brasileira, a continuação ou mesmo o início de qualquer tratamento. Nesse sentido será indispensável criar condições estruturais e econômicas para disfrutarmos de um complexo industrial da saúde próprio, que forneça, gradualmente, medicamentos mais baratos e aparelhos de saúde de que urgimos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Outra sugestão de Ciro, com a qual penso já ser de última hora, seja a informatização total do sistema de saúde. Na ponta, isso significaria o seguinte: a) efetivação de um cadastro médico único do cidadão, de preenchimento obrigatório por qualquer médico público ou particular; b) marcação on-line de consultas que diminua o tempo de espera e, por conseguinte, das longas e intermináveis filas nos postos de saúde e hospitais; c) criação de um sistema on-line de avaliação dos serviços prestados por parte dos usuários, o que facilita a identificação e a resolução de gargalos e problemas, otimizando o serviço. A intenção dessa proposta é tornar as parcas e localizadas experiências de informatização do sistema que já existem e são aplicadas a partir de um modelo que seja totalmente integrado, universal e nacional.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;O Brasil faz parte de um grupo seleto de países que possuem um sistema único de saúde. Em países como Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Suécia (e o próprio Brasil) possuem um sistema de saúde pública gratuito ofertado aos seus cidadãos. Entretanto, de todos estes países citados, o Brasil é o que apresenta o menor investimento no “seu” SUS, uma média de 6,7% da verba destinada ao setor. Enquanto que a média dos demais países mencionados é de 14,5% (Federação Médica Brasileira, 2016). Em grande medida, a diferença dos recursos investidos em saúde pública no Brasil e nos países descritos esteja vinculada a fatores como a dimensão territorial e demográfica, o que de modo algum legitima a deficiência nos recursos destinados ao SUS.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;O SUS foi e continuará sendo uma conquista importantíssima de todos os brasileiros. E aqui, mais uma vez, recorro ao brilhantismo e sensibilidade do Dr. Dráuzio Varela, que diz: “ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa”. Isso significa, na esteira do que pontua o Dr. Dráuzio Varela, que apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Nesse ínterim, devemos defender o SUS e lutar pera aprimorá-lo, melhorá-lo e, acima de tudo, nos orgulharmos de sua existência.As lições da pandemia são incontestáveis: sem o SUS, a barbárie.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Jean Carlos Ribeiro de Lima.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Graduado em História e mestre em Ciências Sociais e Humanidades pela UEG. É professor da rede privada e pública de ensino&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Fontes consultadas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas Emendas Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo no 186/2008. – Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema Único de Saúde (SUS): estrutura, princípios e como funciona. Disponível em: https://www.saude.gov.br/sistema-unico-de-saude. Acesso em: 20 mar. 2020.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;BRUM, Eliane. O futuro pós-coronavírus já está em disputa: como impedir que o capitalismo, que já nos roubou o presente, nos roube também o futuro? El País, 08 abr. 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-04-08/o-futuro-pos-coronavirus-ja-esta-em-disputa.html. Acesso em: 08 abr. 2020.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;GOMES, Ciro. Projeto Nacional: o dever da esperança. São Paulo: Leya, 2020.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;SAÚDE, Ministério da. Artigo analisa os 30 anos do SUS e as perspectivas para o futuro. 2019. Ensp/Fiocruz. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/print/75448. Acesso em: 22 mar. 2020.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;PORTAL DA TRANSPARÊNCIA. Recursos Federais destinados ao combate da pandemia de CORONAVÍRUS (COVID-19). 2021. Disponível em: https://www.portaltransparencia.gov.br/coronavirus?ano=2021. Acesso em: 22 jun. 2022.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;VARELA, Dráuzio. Sem o SUS, é a barbárie. 2019. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/sem-o-sus-e-a-barbarie-artigo/. Acesso em: 20 mar. 2020.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[1] Os dados foram obtidos em 22/06/2022 às 17:54.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[2] Trata-se do primeiro nível de atenção à saúde básica. Envolve, no âmbito individual e coletivo, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação etc. Geralmente são os atendimentos realizados nos postos de saúde, nos CAIS, nos Hospitais Municipais, Programa Saúde da Família (PSF), entre outros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[3] Envolve os atendimentos e os procedimentos mais sofisticados e complexos, como por exemplo, o transplante de órgãos e tratamento do câncer, cirurgias de grande risco etc. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Lima. Jean Carlos Ribeiro de. Sem o SUS, a barbárie: A grande lição da pandemia. Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, vol. 13, n.15, 14 de junho de 2023. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 14 Jun 2023 13:15:19 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/170830-sem-o-sus-a-barbarie-a-grande-licao-da-pandemia</link>
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    </item>
    <item>
      <title>PARA MUITO ALÉM DO “MEIO AMBIENTE”: GEOGRAFIA AMBIENTAL E PENSAMENTO CRÍTICO</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="TESTE" title="TESTE" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/meio-ambiente-fb.jpg?1682444252" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Rodrigo Dutra&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;O objetivo deste texto é oferecer uma resenha da Live Webinar da Associação de Geógrafos do Brasil – Seção Goiânia, intitulada ‘Para muito além do "Meio Ambiente": Geografia Ambiental e pensamento crítico’, com o Prof. Dr. Marcelo José Lopes de Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a qual foi transmitida pelo canal do YouTube, da AGB GOIÂNIA, em 16 de junho de 2020. O vídeo pode ser acessado por meio do endereço eletrônico: &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=PQA9Xqkxbt4"&gt;https://www.youtube.com/watch?v=PQA9Xqkxbt4&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Conforme informações obtidas da Plataforma Lattes, o Professor Marcelo José Lopes de Souza possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985), especialização em Sociologia Urbana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1987), mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1988) e doutorado em Geografia (área complementar: Ciência Política) pela Universität Tübingen (Alemanha) (1993). É coordenador do GAEP – Núcleo de Pesquisas em Geografia Ambiental e Ecologia Política da UFRJ, e afirma que a temática que mais trabalha é a da injustiça ambiental.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Ele inicia a exposição já com uma questão: “O que é o pensamento crítico?” Aqui, cabem duas interpretações. Uma é no sentido filosófico, onde o pensamento crítico é entendido como o raciocínio, o juízo sistemático racional, desconfiando das tradições e opondo-se a todo e qualquer dogmatismo. E, por estar na essência da Iluminismo, tem como Immanuel Kant o exemplo mais paradigmático dessa interpretação. A crítica é consolidada no período iluminista. Porém, Souza afirma que não é nesse sentido que está proposto o subtítulo da explanação. No caso em tela, trata-se de uma interpretação do pensamento socialmente crítico, aquele que tem a ver com a crítica social e cultural. E, também, com o inconformismo e com a crítica às instituições políticas e econômicas, às relações de poder e aos valores embebidos no imaginário, na medida em que estes reproduzem opressão, exploração e marginalização. Essa interpretação de pensamento socialmente crítico adquire forma a partir do século XIX, principalmente, com as contribuições do anarquismo clássico e do marxismo. E se traduz numa crítica ao capitalismo, ao Estado capitalista e às relações de poder hierárquicas e autoritárias, ou seja, relações heterônomas. Espera-se do pensamento socialmente crítico que ele seja sempre autocrítico, antidogmático e antissectário. Mas de acordo com Souza, isso nem sempre acontece. Souza também descontrói a ideia de que pensamento crítico é o mesmo que pensamento marxista. Para ele, isso seria um afunilamento da compreensão do que seja pensamento crítico e excluiria grandes pensadores, que contribuíram para a formação dessa ideia. Ademais, o pensamento socialmente crítico possui uma historicidade, o que resulta em transformações e incorporações de novas dimensões no decorrer do tempo, além de provocar controvérsias induzindo-nos às reflexões. E conclui que o pensamento crítico é dinâmico, plural e não se reduz a uma única ou algumas poucas correntes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Na sequência, outra questão: “O que é a Geografia Ambiental?” Inicialmente, apresenta a Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental – RPG(S)A &amp;lt;&lt;a href="https://geografia-socio-ambiental.webnode.com/"&gt;https://geografia-socio-ambiental.webnode.com/&lt;/a&gt;&amp;gt;. E convida todos a conhecerem e entrarem em contato. A RPG(S)A foi fundada em 2017 e reúne 21 pesquisadores que possuem origens e/ou identificações temáticas distintas. Portanto, a Geografia Ambiental é um pretexto de convergência e de diálogo. Apresenta o periódico ‘Ambientes: Revista de Geografia e Ecologia Política’, publicado pela RPG(S)A. Aproveitando-se do título da revista, já afirma que há intensa correlação entre Geografia Ambiental e Ecologia Política. E sugere a leitura do artigo “O que é a Geografia Ambiental”, de sua autoria, publicado no primeiro número da revista. A leitura do artigo permitirá um aprofundamento na temática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Souza informa que sua exposição, a partir desse momento, será estruturada em 10 proposições ou teses:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;1. A Geografia Ambiental não é um ramo, mas sim um &lt;em&gt;enfoque&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;olhar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;A Geografia Ambiental não reivindica espaço de subdivisão ou de disciplina dentro da ciência geográfica. Portanto, é uma perspectiva, um enfoque, um olhar sobre o objeto. Trata-se de uma convergência de diálogo de saberes interdisciplinares, que vale-se de um conceito de ambiente entendido, numa concepção lato sensu, portanto não como “meio ambiente”. Meio ambiente conjuga dois termos holísticos e amplos que convergem em uma redundância, associando o entendimento a uma ideia de natureza primeira – natureza natural –, aquela evidenciada pelos filósofos naturais alemães, como é o caso de Schelling e sua “Erste Natur”. Esse entendimento exclui as questões socioambientais vinculadas diretamente ao ser humano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Um enfoque ou um olhar porque, independente das diferentes origens, das experiências profissionais distintas e da amplitude dos arcabouços teórico-metodológicos e conceituais, há a tentativa de se construir o conhecimento baseado no diálogo de saberes intradisciplinares. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;2. O olhar da Geografia Ambiental deriva da sinergia de duas fontes teórico-metodológicas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Uma fonte é a Ecogeografia&lt;a href="#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. E a outra é Sociogeografia&lt;a href="#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Portanto, exclui-se uma ideia de Geografia Física e Geografia Humana. Ambas as fontes não se repelem, antes, se saúdam e se complementam. Tentar reduzir as duas contribuições a um padrão teórico-metodológico único é tão nocivo quanto separá-las cartesianamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;3. Bipolarização não é o mesmo que dualismo; é, isso sim, dialética&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Pensamento dialético quer dizer dois momentos, dois movimentos; coisas que interagem que se influenciam reciprocamente, que são interdependentes e se autorreforçam. Segundo Castoriardis, no limite, a própria fronteira do que é um e do que é o outro não desaparece, mas ela é relativizada. Por exemplo, as ideias de natureza e sociedade. São níveis de realidade que exigem tratamento diferenciados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Para Souza, a polarização epistemológica ou epistêmica quer dizer centros de força. E as pesquisas terão suas particularidades e estas deverão ser respeitadas. Caminhar sobre esse campo de tensão/polarização é desafiador e enriquecedor. Infelizmente, nas últimas décadas, os geógrafos têm visto isso como um fardo, um estorvo, e tem voltado as costas para essa virtualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 18.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;No que se refere ao diálogo de saberes, à transversalidade epistêmica, é importante saber que a “perfeita simetria” integrativa é uma &lt;em&gt;meta ilusória&lt;/em&gt; – uma autêntica &lt;em&gt;ideia-obstáculo&lt;/em&gt;. Entretanto, em função das nossas limitações e preferências, nós construímos os nossos objetos de conhecimento, que não necessitam ser iguais. O que deve existir é um diálogo entre diferentes e que acarreta relações de complementaridade. Isso incorre em trocas e aprendizado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;4. A Geografia Ambiental é um &lt;em&gt;recomeço&lt;/em&gt; (em novas bases), mas suas raízes são muito antigas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Suas raízes são tão antigas quanto a própria Geografia. Mais recentemente nos Estados Unidos, nos anos 1960, Willian Pattison postula sobre as quatro grandes tradições da Geografia. Entre elas, a tradição &lt;em&gt;men and environment&lt;/em&gt; (sociedade e meio ambiente) é a mais popular da tradição geográfica. A Geografia Ambiental compartilha também da crítica realizada, nos últimos 40 anos, à Geografia Clássica ou Tradicional. Porém, cabe ressaltar que essa crítica se deu de maneira deficiente ao garantir avanços à ciência geográfica, mas, ao mesmo tempo, anulou muito do que era extremamente importante e foi construído ao longo de séculos. A ideia de Geografia Ambiental que vem tomando corpo nos últimos 15-20 anos, é um recomeço em novas bases. Ela não pretende se confundir com a Geografia. O que se busca é a legitimidade desse esforço e desse olhar, dessa construção de objetos do conhecimento híbridos. Mas, jamais deslegitimar a construção de objetos do conhecimento, que não sejam híbridos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Esse esforço precisa ser resgatado em novas bases: maior sofisticação teórica, maior nível de exigência metodológica, um contexto epistemológico repensado. Os últimos 40 anos de crítica trouxeram valiosas contribuições, porém há que se fazer as devidas ressalvas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;5. A Ecologia Política possui um espírito semelhante ao da Geografia Ambiental, só que no plano &lt;em&gt;interdisciplinar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;A Ecologia Política é um campo interdisciplinar, principalmente, nas tradições francesa e latino-americana, e menos na anglo-saxônica. Naquelas tradições, a Ecologia Política está visceralmente imbricada com os movimentos sociais e com as formas de ativismo. Portanto não se trata somente de uma construção acadêmica; é uma construção epistêmico-política. E em seu aspecto acadêmico, ela é interdisciplinar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Souza destaca o pioneirismo do estadunidense Murray Bookchin – desde o começo dos anos 1960 – e as importantes contribuições de sua ‘Ecologia Social’, que se traduz em Ecologia Política no sentido contemporâneo da expressão. Bookchin costuma ser esquecido por ter sido neoanarquista e autodidata. O austríaco, radicado nos Estados Unidos, Eric Wolf, publica um ensaio, que é um dos primeiros trabalhos a utilizar a expressão Ecologia Política de forma explícita. O geógrafo inglês Piers Blaikie, desde os anos 1980, já organizava obras, entre elas, o importante livro “&lt;em&gt;Land Degradation and Society&lt;/em&gt;”. E o brasileiro Orlando Valverde é o pioneiro da Ecologia Política efetivamente do ponto de vista crítico, no Brasil. A Ecologia Política tem essa característica de criticidade, pois nasce de um contexto mergulhado em valores políticos e éticos no âmbito de um pensamento socialmente crítico. São expoentes desse discurso Orlando Valverde e Carlos Walter Porto-Gonçalves, que já nos anos de 1980, publicava livros nessa temática. Destaca, também, o mexicano Enrique Leff, químico de formação. E a indiana Vandana Shiva, física de formação, que é um dos grandes nomes da Ecologia Política das últimas décadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;A Ecologia Política é interdisciplinar e tem a proposta de promover a transversalidade epistêmica, o diálogo de saberes, que no âmbito intradisciplinar, a Geografia Ambiental vem buscando enfatizar e promover.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;6. A Ecologia Política pode ajudar a imunizar a Geografia Ambiental contra o positivismo e conformismo&lt;a href="#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Enquanto, a Geografia Ambiental nem sempre está amparada e/ou sustentada por um pensamento socialmente crítico, a Ecologia Política o tem como marca de origem. Porém, é um pensamento socialmente crítico plural, que pode ser marxista, libertário, neoanarquista, autonomista, etc. Assim, a Ecologia Política serve como fonte de inspiração à Geografia Ambiental, imunizando-a contra determinados vícios positivistas e posições conservadoristas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;7. A Geografia Ambiental pode ajudar a imunizar a Ecologia Política contra o “sociologismo”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;O professor assevera, que com essa tese, ele não tem nada contra a Sociologia e aos sociólogos. Até porque esse é um dos diálogos mais importantes para os geógrafos. A questão é que, em alguns casos, a Ecologia Política praticada, especialmente por sociólogos e antropólogos, pode se converter em um discurso especulativo sobre a natureza. Há que se ter um mínimo de interesse pela materialidade dos processos biogeofísicos. A Ecologia Política não pode ser confundida com a Filosofia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Em alguns ambientes, essa dimensão da ecologia foi ficando mais pálida, tanto que o geógrafo estadunidense Peter Walker publicou, em 2011, o artigo “Ecologia Política: onde está a ecologia?”. Ou seja, um aspecto fundamental do binômio estava sendo negligenciado. Um dos aportes da Geografia Ambiental à Ecologia Política seria o de demonstrar que a reflexão estaria incompleta se não levasse-se em conta que é fundamental a presença dos fatores da dinâmica natural do planeta Terra. Souza cita, como a exemplo, a ligação visceral da Geografia com o trabalho de campo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Souza sugere a leitura dos livros “O Que é Ser Geógrafo?”, de Aziz Ab’Saber e Cynara Menezes; “&lt;em&gt;Land Degradation and Society&lt;/em&gt;” organizado por Piers Blaikie; “Grande Carajás: Planejamento e Destruição”, de Orlando Valverde; “Paixão da Terra - Ensaios Críticos de Ecologia e Geografia” e “Os Descaminhos do Meio Ambiente”, ambos de Carlos Walter Porto-Gonçalves. Essa Geografia Ambiental, feita por cada um ao seu modo e com ênfases diferentes, pode ajudar contra a perda ou o enfraquecimento da dimensão telúrica da Ecologia Política.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;8. O &lt;em&gt;ambiente&lt;/em&gt; que interessa à Geografia Ambiental vai muito além do “meio ambiente”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Como discutido, no início da apresentação, existe uma problemática na expressão “meio ambiente”. Mas, o problema não é só etimológico. Mas, sim, o que se esconde por traz do vocábulo, como o fato de privilegiar determinadas agendas, que muitas vezes são preservacionistas e não conservacionistas. E quando são conservacionistas, trata-se de um conservacionismo de mercado, a exemplo dos serviços ambientais e serviços ecossistêmicos, que caracterizam o uso da linguagem numa acepção neoliberal. E o pior, isso se entranha inclusive nos movimentos ativistas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;O que interessa à Geografia Ambiental não é o ambiente mutilado, mas, sim, o ambiente que é fruto da transformação da natureza primeira, a retransformação da natureza primeira em natureza segunda, dada pela materialidade do trabalho, e pelas retransformações infinitas da natureza segunda por meio das relações sociais. Ou seja, não somente o processo de trabalho, mas, também, as ressignificações. A partir desse entendimento, ideia de desastre natural é equivocada. Existem processos naturogênicos, porém, estes não desastres. Para todo desastre são necessários pressupostos sociais na organização e produção do espaço e efeitos humanos e sociais. Isso é que faz o desastre um evento complexo e compósito. Chamar um desastre de natural é uma das implicações de estar controlado pela ideia-obstáculo de “meio ambiente”. Analogamente, quando se fala em conflitos, há que se tratar de conflito socioambiental e não conflito ambiental, para não incorrer em confusão com a luta conservadora e um olhar estreito sobre o objeto. A rigor, todo conflito ambiental é social, porém para não incorrer nos riscos citados, utiliza-se uma redundância.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Portanto, o ambiente na Geografia Ambiental, assume um sentido conceitual-teórico amplo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;9. O “fator antrópico” escamoteia as clivagens e contradições sociais&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Segundo Souza, outra ideia-obstáculo é o “fator antrópico”. A ideia é que a humanidade está promovendo a degradação ambiental, que a sociedade está produzindo um desastre. O risco de incorrer-se em ilações como a de que “o ser humano é mau” é grande. Como também é grande o risco de chegar-se ao neomalthusianismo e ao ecofascismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Trata-se de um nível de generalização e de abstração tão grande, que ele dificulta enxergar as responsabilidades dos agentes e atores sociais envolvidos, nas várias escalas, na construção de um problema ecossocial concreto. Quais as responsabilidades imediatas e as mediatas? É muito comum vermos só as imediatas e não enxergarmos as mediatas, onde se encontram os atores mais influentes e poderosos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Também, as clivagens sociais, que têm a ver, por exemplo, com o racismo e as demais contradições sociais, vão resultar em injustiças ambientais concretas. O que vem a ocasionar o sofrimento ambiental. Daí a importância do diálogo de saberes, como neste caso, entre geógrafos e profissionais da área da saúde.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font: 7.0pt 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;10. Geografia Ambiental e diálogo de saberes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Um diálogo de saberes para além da intra e interdisciplinaridade, ou seja, fomentar condições que não sejam opressivas ou artificiais para nenhum dos lados. De forma, que as diferentes subdivisões disciplinares ou disciplinas dialoguem de forma construtiva e estrutural. Isso é fundamental.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 1.0cm; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;O diálogo de saberes vai muito além da interdisciplinaridade e da transversalidade, pois ele tem a ver com o próprio intercâmbio entre a academia e a não-academia, por meio de uma “humildificação” da academia. Os saberes tradicionais, veraculares, populares&lt;a href="#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 107%; font-family: 'Calibri',sans-serif;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; também são importantes para a Geografia e, em especial, para a Geografia Ambiental. Como exemplo desse intercâmbio, ele cita a Etnopedologia e as discussões no âmbito da Agroecologia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Rodrigo Marciel Soares Dutra (&lt;a href="mailto:rodrigo.dutra.gyn@gmail.com"&gt;rodrigo.dutra.gyn@gmail.com&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%;"&gt;Doutorando em Geografia pela Universidade Federa de Goiás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="line-height: 107%; font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Desenvolvida por Jean Tricart.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="line-height: 107%; font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Baseada na Geografia Social de Élisée Reclus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="line-height: 107%; font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Conformismo pode ser substituído por conservadorismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="line-height: 107%; font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; O que o antropólogo Clifford Geertz chamou de saber local.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;DUTRA, Rodrigo. Para muito além do "Meio Ambiente": geografia ambiental e pensamento crítico. Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, vol. 14, n.16, 24 de junho de 2024. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 25 Apr 2023 14:58:50 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/168932-para-muito-alem-do-meio-ambiente-geografia-ambiental-e-pensamento-critico</link>
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    </item>
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      <title>ELA NÃO ATRAVESSOU A RUA... (IMPRESSÕES SOBRE A EXPERIÊNCIA DE SER NEGRO NA ARGENTINA)</title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Imagem_Adriano" title="Imagem_Adriano" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/Design_sem_nome_%281%29.png?1681831740" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Adriano Rodrigues de Oliveira&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Era uma agradável noite de domingo. Havia chegado há pouco mais de duas semanas na cidade de Córdoba, segunda maior cidade da Argentina e capital da província que recebe o mesmo nome. Ali faria uma temporada de formação profissional junto à Universidad Nacional de Córdoba. Era outubro de 2022, o país respirava dois ares similares e ao mesmo tempo distintos a 1978. Aquele ano marcara o primeiro mundial de futebol vencido pela seleção Argentina que servira como cortina de fumaça para as atrocidades da ditadura que havia deposto a presidenta &lt;span style="background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;Maria Estela Perón, dois anos antes e que perduraria até 1983. Agora era 23 de outubro de 2022, a um mês do primeiro jogo da seleção argentina na copa do mundo, quando seria surpreendida por uma virada de 2x1 para a oportunista seleção da Arábia Saudita, que arrefeceu os ânimos em torno do tão sonhado tricampeonato da “scaloneta”, nome carinhosamente conferido à seleção de Lionel Scaloni. Mal sabiam eles (tampouco eu) que 60 dias depois se consagrariam como campeões do mundo numa emocionante final contra a potente seleção francesa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;Mas, o meu foco naquela noite era outro: saí de casa para ir ao belíssimo Cine Club Municipal Hugo del Carril, localizado no centro da cidade, para assistir ao filme &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;Argentina, 1985&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;, do diretor Santiago Mitre, protagonizado pelo talentoso Ricardo Darín, que interpretou o promotor Julio Strassera, responsável pela acusação no julgamento dos principais comandantes do regime militar argentino. O filme retrata os bastidores do processo que julgaria os réus sob a acusação de responsabilidade direta ou indireta, das mortes e torturas de opositores ao regime, que segundo as estimativas, totalizam cerca de 30 mil pessoas no período de 1976 a 1983. Isso coloca a ditadura argentina na dianteira mais sanguinária de todas as ditaduras que assolaram a América Latina no período. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;Pela 7ª arte, a Argentina agora apresentava, para o mundo em geral e para o Brasil em específico, como devem ser tratados os protagonistas das ditaduras. Não apenas pela qualidade artística, mas principalmente pela relevância histórica, o filme foi indicado para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Internacional no ano de 2022.  Lá, ao contrário de cá, os ditadores foram reconhecidos como o que realmente são e a ditadura, colocada no seu devido lugar: violenta, degradante e perversa.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;Ao final da projeção do filme, inebriado entre o desenrolar da história e o desafio de compreender tudo numa língua estrangeira, fui surpreendido pela plateia na sala do cinema que, no entremeio entre os créditos que subiam a tela e a meia luz que agora atordoava as minhas pálpebras, entoava quase que como uma orquestra de uma ópera, mas de punhos cerrados e erguidos:&lt;/span&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #111111;"&gt;“Olé olé, olé olá, olé olé, olé olá! Como a los nazis les va a passar! A donde vayan los iremos a buscar&lt;a href="#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #111111;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”. Minha reação não poderia ser outra, senão sacar o telefone para filmar aquele momento único, enquanto sentia os pelos eriçados em minha pele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #111111;"&gt;A noite fresca, as ruas movimentadas e sensação de segurança eram um convite para a caminhada noturna, afinal o percurso de pouco mais de dez quadras era passível de ser percorrido em menos de 20 minutos. Ainda me acostumava com a ideia de caminhar pelas ruas do centro da cidade, independente de ser dia ou noite. Ao contrário de Goiânia, cidade onde vivo no Brasil, Córdoba transmite uma sensação de segurança comparável às cidades europeias que invariavelmente se constituem como referência turística aos brasileiros, mesmo acumulando aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. Essa sensação, provavelmente era influenciada pelo “calor” transmitido pelos transeuntes e pelas informações pretéritas obtidas junto aos amigos e colegas da cidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #111111;"&gt;Saí do cinema, localizado no &lt;em&gt;Boulevard San Juan,&lt;/em&gt; caminhei cerca de 30 metros até acessar a &lt;em&gt;Calle Obispo Trejo&lt;/em&gt; pela qual percorreria cerca de 900 metros até chegar na avenida &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;Pueyrredón&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt; onde se localizava o endereço no qual estava vivendo a época. No Brasil, confesso que não tenho vasta experiência como pedestre. Em Goiânia, quase nunca, a não ser nos parques da cidade em momentos de lazer/exercícios. Na maioria das vezes, as caminhadas se inscrevem às viagens para outras cidades do país, notadamente durante congressos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;Minha caminhada naquela noite também era uma “novidade”. Depois de percorrer aproximadamente a metade do meu caminho de volta, na medida em que me distanciava do Cine Municipal, a quantidade de pessoas também raleava. Era aproximadamente 23h30. A luminosidade da &lt;em&gt;Obispo Trejo&lt;/em&gt; era tenra, considerando o entremeio dos postes de iluminação com as árvores que ornamentam e refrescam o centro da cidade, nas calorosas tardes do verão Cordobés. Na minha calçada, no sentido oposto, se aproximava uma jovem. Provavelmente era universitária, já que a cidade é um polo universitário e o bairro que escolhi para viver possui grande concentração de repúblicas estudantis, pela proximidade com o &lt;em&gt;campus &lt;/em&gt;da Universidad Nacional de Córdoba. A jovem falava ao telefone celular. Era branca. A distância entre mim e ela se encurtava. De súbito, imaginei: “ela vai guardar o celular e atravessar a rua”. Me preparei para evitar movimentos bruscos, visando transmitir segurança para àquela jovem mulher branca que em instantes cruzaria com um homem negro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;Mas, não! Isso não aconteceu: ela não atravessou a rua! Tampouco fez qualquer gestual que representasse a linguagem corporal de medo ou insegurança. Simplesmente seguiu o seu percurso. Coube a mim, fazer o mesmo, encucado com àquilo que acabara de experenciar. Há algumas linhas, assinalei a minha pouca experiência em caminhadas. Tenho pouco mais de duas décadas de graduado em Geografia. Esse tempo coincide com a minha “ascensão socioeconômica”. Na primeira oportunidade, comprei uma motocicleta, logo depois “evolui” para outros veículos. Seria essa a explicação para que eu abandonasse as caminhadas? Seria por insegurança? Minha ou dos outros? O tempo da minha formação como geógrafo coincide com a minha autodeterminação como homem negro. No passado, muitos episódios de racismo passavam despercebidos. Mas isso ficou no passado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;Hoje rememoro as situações vivenciadas por mim ou por pessoas próximas, em situações temporo-espaciais diversas. Na infância e adolescência eram os “apelidos”, adjetivações típicas atribuídas às crianças negras. Na juventude aconteceu no “baculejo” da blitz policial, quando era motociclista. Em supermercados (daqui e do além-mar). Na França, não era incomum ser acompanhado por um segurança – quase-sempre-também-negro-e-imigrante – enquanto fazia compras. Nos &lt;em&gt;shopping-centers&lt;/em&gt; e nos aeroportos, invariavelmente na seleção “aleatória” para vistoria de bagagem de mão. Em mesas de restaurantes e/ou confraternizações, nas quais os amigos “justificam” a minha presença diante de convidados (brancos) desconhecidos: “ele é professor da UFG” ou “já até viveu no exterior durante o seu doutorado”. Mas, no que toca a experiência de pessoas mudando de calçada, ainda que eu não ande muito a pé, as histórias se avolumam. Acontece principalmente quando estou sozinho. No que toca a dimensão dos “baculejos”, ao ouvir os inúmeros relatos de estudantes-amigos que acumulam essas situações, me ponho a levantar hipóteses de o porquê acontecer “menos” comigo: i) seria por que não ando a pé? ii) ou por que não saio na rua em determinados horários? iii) seriam os bairros segregados que frequento? iv) ou a minha faixa etária? Tudo isso ao mesmo tempo? Sendo isso, não seria essa a explicação para evitar andar a pé, sozinho? Tenho medo da violência urbana ou tenho medo de que as pessoas tenham medo de mim?  &lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;Desde aquela noite essa inquietação me acompanha. Já relatei para algumas pessoas do meu convívio. Há uma ebulição de pensamentos que me movem. Iniciar esse texto traçando um paralelo entre o futebol e a ditadura argentina, não foi por acaso. Como dito, durante a maior parte da minha estadia, o país respirava futebol. E neste período, pipocaram matérias jornalísticas buscando explicar o porquê de a seleção argentina ser “tão branca”, contrariando a expectativa de uma América Latina eminentemente “mestiça”. Normalmente essas preocupações são provenientes da mídia europeia. Interessante notar que a mesma medida não se aplica à correção dos efeitos perversos da colonização protagonizada por àquele continente, notadamente pela escravização dos povos originários daqui ou de África. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;Recorri a alguns estudos acadêmicos que se debruçaram sobre a “branquitude” do povo argentino. Também dialoguei com alguns colegas da Universidad de Córdoba. As respostas convergem para duas dimensões centrais e correlatas. A primeira é a hegemonia da projeção imagética da mídia hegemônica, que tem Buenos Aires como “síntese” do mito de homogeneidade racial. Foi para aquela cidade que se concentrou o maior fluxo de imigrantes do final do século XIX e início do século XX, empurrando para “fora”, ou seja, para o interior do país, a população “mestiça”. A segunda dimensão se relaciona com a primeira e diz respeito à autodeterminação do povo negro. A principal reinvindicação dos movimentos negros é a luta pelo reconhecimento da existência de uma população afrodescendente&lt;a href="#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;A autodeterminação do povo “não-branco”, composta por afrodescendentes e povos originários é um processo em construção muito atrelado às reinvindicações de classe. As determinações de características da negritude possuem aspectos muito limitados e específicos, o que leva as pessoas afrodescendentes, que em outros países se reconheceriam e seriam identificadas como negras, na Argentina, são identificadas como “brancas e brancas de pele escura&lt;a href="#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”. Não há na autodeterminação e/ou identificação a graduação de pretos e pardos como no Brasil, por exemplo. Somente no Censo Nacional de 2010 houve no inquérito uma pergunta sobre autopercepção de afrodescendência. Porém, essa amostra alcançou apenas 10% da população recenseada naquele ano.  &lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #202124;"&gt;No Censo de 2020, postergado pela pandemia de Covid-19, passou-se a incluir de forma geral a pergunta sobre a afrodescendência. Diante do exposto, não é uma tarefa simples, explicar a natureza do racismo argentino. A ativista Carmen Yanone que participa da organização &lt;em&gt;8 de noviembre&lt;/em&gt; que aglutina vários coletivos afro, entrevistada pelo cientista político Guillermo Orsi, constrói uma explicação tendo como base empírica, a capital nacional, Buenos Aires. Para ela, na Argentina, “uma ‘pessoa negra’ pode ter a pele clara e nenhuma característica tida como típica dos afrodescendentes. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;O contrário também é possível: uma pessoa de pele clara, mas de classe baixa, pode ser reconhecida como ‘um negro’.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Tal interpretação me ajuda a compreender parcialmente a jovem “não atravessar a rua”. A Geografia explica! Talvez, em sua percepção espacial, um “negro” não transitaria pelo espaço segregado do centro da cidade. Naturalmente a minha presença naquela porção territorial da cidade estaria atrelada ao “branqueamento econômico” que me permitiria estar ali. Seria essa explicação plausível? A medida do racismo argentino não é uma tarefa fácil. Principalmente para alguém que não possua uma trajetória de pesquisas sobre a temática. Minha percepção é a de um homem negro no exercício intelectual de compreender a minha vivência em um país que a &lt;em&gt;priori&lt;/em&gt; poderia assustar pela “ausência” de negros. Já vimos que essa ausência está mais atrelada ao apagamento histórico da afrodescendência do que a inexistência desta população. Tal percepção é inequívoca quando nos afastamos do centro da cidade de Córdoba. Não é preciso ir para as regiões andinas. O entorno do Mercado Público do Norte (da cidade) já é pedagógico. Os tons de pele se modificam. O público de jovens (i)migrantes universitários não frequenta a periferia. No comércio de rua, encontramos a diversidade e as diferentes matizes do povo Cordobés. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Diante de tudo isso, a inquietação permanece: seria mais fácil ser negro na Argentina? Obviamente a minha condição de privilégio em uma fração de tempo limitada a um espaço de um bairro nobre e com um rendimento proveniente de uma moeda com câmbio favorável não é suficiente. Não posso cair na sedução e deslumbramento dos incautos com a experiência migratória. Vivo em um país que cujo racismo adquire diferentes tons. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Enquanto finalizo este manuscrito, vejo um debate profícuo para a determinação do racismo brasileiro: seria ele &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;estrutural &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;nos moldes reivindicados pelo professor Silvio de Almeida&lt;a href="#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, agora ministro de Direitos Humanos e da Cidadania? Seria ele &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;institucional &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;como alerta o brilhante professor Muniz Sodré&lt;a href="#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;? Por óbvio, não cairei nas “cascas de banana” que a mídia hegemônica brasileira insiste em jogar diuturnamente à quem ousa (re)existir. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;É nítido e notório o processo de ocultamento do racismo à brasileira. Isso se materializou(za) no apagamento histórico das lutas, na criminalização das manifestações religiosas, na apropriação cultural entre outras dimensões. O fato é que a sociedade brasileira é inequivocamente racista! Há uma profunda fissura que separa o povo negro (quase sempre pobre) dos brancos, mesmo que pobres. É consenso que a raiz do racismo está atrelada ao regime escravocrata, que tem sua origem na estrutura econômica do capitalismo colonial. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Por sua vez, as instituições que moveram estas estruturas, conectadas com o regime de acumulação internacional, foram capazes de antecipar em 38 anos o “cativeiro da terra”, como tão bem definiu o sociólogo José de Souza Martins&lt;a href="#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Para que os trabalhadores fossem livres era necessário a instituição da propriedade privada da terra, ensejando a seguinte metamorfose: a terra, que era livre, passou a ser cativa, o trabalhador, que era cativo, passou a ser livre. A Lei de Terras foi promulgada em 1850, instituindo a propriedade privada da terra. Por sua vez, a Lei Áurea foi instituída em 1888, abolindo a escravidão e criando um “exército” de pessoas “livres”. Mas, que liberdade foi essa? Aos africanos e seus descendentes não houve políticas públicas visando a sua absorção na sociedade brasileira. A esse povo não foi conferido um “sistema de cotas” como àquele estruturado para receber os imigrantes europeus no sul do país&lt;a href="#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt; &lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Considerando a minha condição de um negro que acessou à posição de professor e pesquisador universitário, não raras às vezes, fui inquirido nas razões em não eleger a questão racial como agenda de pesquisa. No princípio também me questionava a este respeito. Aos poucos fui compreendendo que a minha agenda não está separada deste tema. Qualquer estudo de questão agrária brasileira que não passe pela questão racial será parcial, pois não seria a terra cativa signo da história de um país escravocrata?&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Minha abordagem do tema passa eminentemente pela estrutura de classes que move a sociedade brasileira. Não parto de uma leitura estanque, busco sempre a justaposição contraditória dos processos, composta pela totalidade socioespacial. Milton Santos quando indagado se era difícil ser um intelectual negro no Brasil, respondeu que: “é difícil ser negro! E é difícil ser intelectual, no Brasil. Essas duas coisas, juntas, dão o que dão, né&lt;a href="#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”. Esse é o caminho que procuro trilhar! Tenho dificuldades em me autodefinir como um intelectual, mas tenho como convicção o exercício permanente de pensamento, ancorado em elucidar inquietações. Talvez isso me faça um intelectual, seguindo a risca a afirmação que o mestre Guimarães Rosa sentenciou: “eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Adriano Rodrigues de Oliveira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="line-height: 150%; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;Graduado, Mestre e Doutor em Geografia. Um dos (poucos) professores negros do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: &lt;a href="mailto:adriano.oliveira@ufg.br"&gt;adriano.oliveira@ufg.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; background: white;"&gt;&lt;a href="#_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; “Olê olê olê olá, olê olê olê olá&lt;br /&gt;Como os nazistas, lhes vai passar,&lt;br /&gt;aonde forem nós iremos lá buscar!”. Tradução livre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="#_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Ver o artigo “Não há negros na Argentina”: o mito da homogeneidade racial argentina, publicado pelo cientista político Guillermo Omar Orsi na &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Revista Simbiótica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, v.9, n.2, mai.-ago./2022. Disponível em: &lt;a href="https://periodicos.ufes.br/simbiotica/article/view/39249"&gt;https://periodicos.ufes.br/simbiotica/article/view/39249&lt;/a&gt; Acesso em 20 de mar 2023.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Op. cit.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref5"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Ver: Almeida, Silvio. &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Racismo Estrutural&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (Feminismos Plurais) São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen Livros, 2019.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref6"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: windowtext;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Ver: Sodré, Muniz. &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;O fascismo da cor: uma radiografia do racismo nacional. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;São Paulo: Vozes, 2023 e a entrevista concedida à coluna Ilustríssima do Jornal &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Folha de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em &lt;span style="color: #333333; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;18.mar.2023&lt;/span&gt; &lt;a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2023/03/aceito-a-expressao-mas-racismo-nao-e-estrutural-no-brasil-diz-muniz-sodre.shtml"&gt;https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2023/03/aceito-a-expressao-mas-racismo-nao-e-estrutural-no-brasil-diz-muniz-sodre.shtml&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="#_ftnref7"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Martins, José de Souza. &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;O Cativeiro da Terra. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;9ª ed. São Paulo: Contexto, 2010.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref8"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Ver o texto do jornalista &lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #222222; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;e historiador Tau Golin&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #222222; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;Os cotistas desagradecidos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif'; color: #222222; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt; publicado originalmente no Portal Geledés em 2014. Disponível em:  &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="https://www.geledes.org.br/os-cotistas-desagradecidos/"&gt;&lt;span style="background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;"&gt;https://www.geledes.org.br/os-cotistas-desagradecidos/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="#_ftnref9"&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt; Ver o documentário &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: 'Calibri','sans-serif';"&gt;Encontro com Milton Santos: o mundo global visto pelo lado de cá, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;de Silvio Tendler. Disponível em: &lt;a href="https://youtu.be/-UUB5DW_mnM"&gt;https://youtu.be/-UUB5DW_mnM&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 10.0pt; line-height: 115%;"&gt;OLIVEIRA, Adriano Rodrigues de. Ela não atravessou a rua... (impressões sobre a experiência de ser negro na Argentina). Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, vol. 13, n.15, 18 de abril de 2023. [ISSN 2238-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, 'sans-serif';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 18 Apr 2023 14:40:39 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/168679-ela-nao-atravessou-a-rua-impressoes-sobre-a-experiencia-de-ser-negro-na-argentina</link>
      <guid>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/168679-ela-nao-atravessou-a-rua-impressoes-sobre-a-experiencia-de-ser-negro-na-argentina</guid>
    </item>
    <item>
      <title>BIOGEOGRAFIA E O FENÔMENO DAS PANDEMIAS: ANAMNESE ACERCA DO CONTEXTO ATUAL  </title>
      <description>&lt;img width="200" alt="Imagem_bio" title="Imagem_bio" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/Biogeografia.jpg?1681393661" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Fernando Edson de Abreu Ramos e Rafaela dos Santos Leal&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;INTRODUÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O texto traz a discussão sobre o fenômeno das pandemias, que vem sendo registrado na história das sociedades humanas basicamente desde a antiga civilização egípcia, quando em 430 a. C, a Febre tifoide “castigou” aquela sociedade, até então sob o domínio grego, na verdade a esse evento dar-se o nome de epidemia, pois limitou se apenas a região do atual Egito. Além de surtos de Peste negra, Tifo e Cólera na Europa medieval, em meio às “cruzadas”, e início da idade moderna, século das “luzes”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;No entanto, na história humana há registros de epidemias de doenças infecciosas que se espalharam por um continente ou mais, chegando ao caso de configurar-se em um quadro de Pandemia.  Ou seja, abrangendo um continente ou o mundo todo. Nesse contexto, podemos citar Sellwood (2010)&lt;cite&gt; a &lt;/cite&gt;primeira pandemia que se tem registrada na história humana, foi uma gripe que se iniciou na Ásia em 1580, em meio ao período dos grandes “descobrimentos” e exaustivas navegações, logo se espalhou pela Europa, África e América do Norte. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A partir deste momento podemos falar na gripe asiática, durante o período de 1889 a 1892 que espalhou se rapidamente e atingiu a América do Norte e do Sul, além de Índia e Austrália, a enfermidade era causada por um subtipo do vírus influenza (&lt;cite&gt;BEVERIDGE, 1977&lt;/cite&gt;&lt;cite&gt;). Mas, levando-se em consideração o espaço de abrangência e a letalidade da infecção, podemos dizer que foi a gripe “espanhola” durante os anos de 1918 a 1919, que se tornou uma Pandemia mundial, com alta letalidade. Lembrando que uma Pandemia não se caracteriza pelo seu grau de letalidade, mas sim pela dimensão espacial e forma de transmissão, “contágio pessoal, transmissão sustentável&lt;/cite&gt;&lt;cite&gt;”.&lt;/cite&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;cite&gt;O fenômeno narrado é visto até hoje como a maior da história, calcula-se que 17 milhões de mortes na índia, 500.000 nos Estados Unidos e 200.000 no Reino Unido, são os maiores saldos negativos por nação, e no total da pandemia estima-se que 25 milhões de vidas tenha sido o saldo final desse evento meteórico (DOMINGOS; WEBSTER; HOLAND, 1999).&lt;/cite&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Nas reflexões elaboradas propomos pensar sob a luz da Biogeografia, nesse sentido esse ensaio tem a preocupação de explicar alguns conceitos e categorias de análise desse ramo de estudo, a fim de que possamos compreender as razões pelas quais as Pandemias podem se efetivar no espaço mundial.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A produção do texto foi motivada pelo contexto histórico atual, afinal estamos assistindo a efetivação do expansionismo da doença Covid-19, em todos os continentes do planeta. A enfermidade é caracterizada por apresentar sintomas semelhantes a uma gripe, causando a Síndrome Respiratória Aguda (SARS) em seus casos mais graves. Tendo como objetivo geral do ensaio fazer uma reflexão da Pandemia atual (Covid-19) a luz dos fundamentos teóricos da Biogeografia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Os primeiros casos observados de Covid-19 foram registrados na China. Segundo Lemos (2020) o novo coronavírus que causa a infeção Covid-19, surgiu em 2019 na cidade de Wuhan na China e acredita-se que os primeiros casos de infecção, tenham acontecido de animais para pessoas. Além disso, os primeiros casos da doença foram confirmados num grupo de pessoas que estiveram no mesmo mercado popular da cidade de Wuhan, onde eram vendidos vários tipos de animais selvagens vivos, como cobras, morcegos e castores, fato que reforça a hipótese de que a transmissão tenha se iniciado dos animais para o homem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;O AFLORAMENTO DAS REMINISCÊNCIAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;Sobre o planeta Terra&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ao iniciar o assunto temos de reafirmar que o planeta Terra é um Geoide, e por tanto apenas partes do astro Terra poderia ser transposta para a forma plana, e mesmo assim, somente se isso o fosse feito para fins de representação cartográfica, logo a Terra só seria plana nos mapas. A história da Terra é montada como partes de um quebra cabeça, composta por eventos geológicos, físicos, químicos, biológicos e mais recentemente pela história das sociedades humanas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Segundo a teoria da deriva continental, por volta de 250 milhões de anos da história geológica da terra, existiu apenas um único continente nomeado de Pangeia e que este começou a se fragmentar durante a era Paleozoica, essa teoria foi virulentamente rejeitada pelos paradigmas teóricos da época 1912. Somente depois da segunda grande Guerra mundial, com o advento dos submarinos e seu posterior uso para fins de pesquisas científicas sobre os assoalhos oceânicos, e através da teoria de tectônica de placas, foi possível resgatar a teoria da deriva continental e dessa forma entendê-la com base em princípios gerais da Física.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A vicariância nos estudos Biogeográficos é considerada como princípio básico da dispersão das espécies, e as mutações sofridas na estrutura dos organismos biológicos em virtude de algum fator do meio, é chave na compreensão da montagem do quebra cabeça da história geológica da Terra. Dessa forma os eventos geológicos relacionados ao movimento das placas tectônicas, mudanças climáticas, ou mesmo o desencadeamento de moléstias e pragas podem afetar diretamente nas especialidades de vida e na espacialidade na Terra. Nesse sentido podemos interpretar o fenômeno das Pandemias como sendo um fator de atuação deste mecanismo.         &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;Sobre a Biogeografia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Analisando um leque de caracterizações sobre as delimitações do campo de estudo da Biogeografia, desde Troppmair (1989), Martins, (1992) Viadana (2004) podemos afirmar que o espaço aparece como conceito comum a todos os achados bibliográficos. Fato esse que a torna diferente da Biologia, Botânica e da própria ecologia. Além desse aspecto podemos perceber também que em praticamente todas as abordagens Biogeográficas, os elementos bióticos que compõem o espaço são o foco dos estudos desse importante campo de pesquisa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Dessa forma surge o questionamento: Por que falarmos em Covid-19 pelas lentes da Biogeografia, sendo que a mesma trata somente dos elementos bióticos e sua dispersão no espaço, ou seja, os elementos vivos? Podemos afirmar apenas que na Biologia, até a presente data ainda não podemos visualizar um consenso entre o que é ser vivo e não vivo, e que a questão tem sido enfrentada em maioria dos casos, com base na consideração da estrutura celular. Levando em consideração esse fator, podemos dizer que um vírus como o SARS-Cov-2, o parasita causador da enfermidade conhecida como Covid-19, é um ser vivo? Logicamente que não, como sabemos, por ele ser um vírus, não possui estrutura celular, ou seja, são acelulares. Isso contrapõe a teoria celular, dessa forma, os vírus não poderiam ser considerados seres vivos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;De acordo com essa corrente um vírus só consegue reproduzir-se no interior das células, logo os vírus não possuem metabolismo próprio. Entretanto, dentro da virologia, assim como em qualquer campo do saber, reinam divergências a respeito de questões que são centrais para a evolução de leis e teorias, nessa linha existem os que acreditam que os vírus são vivos e baseiam seus argumentos nas ideias a respeito de os vírus apresentarem material genético “DNA ou RNA” além de os mesmos serem capazes de sofrer mudanças ao longo do tempo, ou seja, são passíveis de evolução.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Para nós, a questão é mais simples de ser resolvida. O homem é o ser vivo de maior complexidade da “esfera” terrestre, seja do ponto de vista do funcionamento do seu sistema biológico ou nas formas de organização em comunidades, populações ou sociedades. O SARS-Cov-2 é um vírus e por tanto um parasita de células hospedeiras, e que de acordo com seu histórico de dispersão ou mutações sofridas bem como pelo seu expansionismo, o mesmo passou de mamíferos como o morcego e conseguiu reproduzir-se na espécie humana, desse modo o homem torna-se, em uma última análise e atualmente o maior propagador do vírus Corona.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Assim, mais especificamente dentro da subdivisão da Biogeografia histórica e da Biogeografia médica, podemos vislumbrar a importância da abordagem sobre a pandemia de Covid-19 pelo viés Biogeográfico. A “Biogeografia histórica estuda as causas da atual distribuição, a diferenciação, e a extinção de espécies, e a Biogeografia médica estuda a distribuição e as causas da ocorrência de pragas e moléstias” (TROPPMAIR, 1989, p.5).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A Biogeografia médica tem contribuído bastante principalmente em países que se situam em regiões tropicais, e que por isso registram alta incidência de moléstias como exemplo a dengue e a febre amarela, no caso brasileiro. Por essa perspectiva, os estudos e as abordagens Biogeográficas tem levado em consideração alguns fenômenos como as migrações e doenças infecciosas e parasitárias, desse modo a Biogeografia introduz no interior das análises, os organismos acelulares “parasitários, como o SARS-Cov-2”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ao abordar a questão sobre o desencadeamento de moléstias e pragas, além de outros temas como os relacionados a viroses, zoonoses, aos surtos, epidemias e pandemias, pode-se inferir que a Biogeografia atual deve levar em consideração os determinados tipos de padrões culturais das sociedades humanas, como hábitos alimentares, higiene pessoal, bem como outros fatores que não são diretamente relacionados à cultura, mas sim a estrutura, como exemplo o saneamento básico, o acesso à água potável e uma alimentação saudável, ou seja, o meio ambiente. Dentro dessa perspectiva uma Pandemia pode ser levada em conta como um possível fator de vicariância nos estudos da Biogeografia médica e histórica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;AFLORANDO AS REMINICÊNCIAS FINAIS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A Biogeografia médica é encarada como de grande função dentro de um contexto de Pandemia, investigando as causas e a dispersão de organismos vivos ou parasitários no espaço mundial.  Dentre médicos, virologistas, biólogos, alguns biogeógrafos, dentre outras especialidades vem desenvolvendo estudos, elaborando mapas, gráficos e outros instrumentos de análises para manter atualizado diariamente os cadastros, sistemas de informações e demais ferramentas das Organizações Mundiais de Saúde.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Aqui, utilizando-se de uma linguagem um pouco mais literária, a vicariância é compreendida como o caos, como uma hemorragia, um curto circuito, um acidente no meio do caminho que nos obriga a mudar o percurso até então planejado. Dessa forma, as diferenças nas configurações físicas da terra, as mudanças climáticas e as Pandemias constituem-se em fator de vicariância nos estudos Biogeográficos, logo é fundamental a compreensão dos surtos de doenças infecciosas, epidêmicas e das Pandemias sobre o olhar da Biogeografia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Observando as propostas de se combater à Pandemia de Covid-19, adotadas pelos conjuntos de nações e estados federados, fica claro que a causa da atual Pandemia é a transmissão sustentada, “sem obstáculos” do vírus entre humanos. Os efeitos de uma Pandemia sobre as sociedades são dramáticos e caóticos, tendo em vista as consequências desse fenômeno nos sistemas de saúde e setores socioeconômicos dos países e Estados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Certamente, a alternativa que se tem para frear o avanço de eventos dessa natureza, é a diminuição de aglomerações humanas, por outro lado percebe-se que tal medida é a causa de outras crises, a retração dos mercados e a superlotação da saúde, além de pequenos colapsos pontuais, são nesse caso, em última análise sintomas de um problema comum, a Pandemia de Covid-19. Por fim, ficam os aprendizados das situações vividas, as sociedades atingidas e que resolvem por tomar medidas de precaução com relação ao evento em foco, sofrem uma verdadeira mutação, passam por claras metamorfoses sociais e de valor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;strong&gt;REFERÊNCIAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;cite&gt;BEVERIDGE, W. I. B. Influenza: The Last Great Plague. An Unfinished Story of Discovery. New York: Prodist, 1977. &lt;/cite&gt;&lt;a title="International Standard Book Number" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/International_Standard_Book_Number"&gt;ISBN&lt;/a&gt; &lt;a title="Especial:Fontes de livros/0-88202-118-4" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Fontes_de_livros/0-88202-118-4"&gt;0-88202-118-4&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;DOMINGO, Esteban; WEBSTER, Robert; HOLAND, John. &lt;em&gt;Origin and Evolution of Viruses&lt;/em&gt;. San Diego: Academic Press. p. 380. 1999. &lt;a title="International Standard Book Number" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/International_Standard_Book_Number" target="_blank" rel="noopener"&gt;ISBN&lt;/a&gt; &lt;a title="Especial:Fontes de livros/0-12-220360-7" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Fontes_de_livros/0-12-220360-7" target="_blank" rel="noopener"&gt;0-12-220360-7&lt;/a&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;LEMOS, Marcela Coelho de. Como surgiu o novo Coronavírus (COVID-19). Tua saúde, 2020. Disponível em: &lt;a href="https://www.xn--tuasade-b2a.com/misterioso-virus-da-china/"&gt;https://www.tuasaúde.com/misterioso-virus-da-china/&lt;/a&gt; Acesso em: 22 de Março de 2020&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;MARTINS, Celso. Biogeografia e ecologia. 5. Ed. São Paulo: Nobel, 1992.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;cite&gt;SELLWOOD, Chloe. Brief History and Epidemiological Features of Pandemic Influenza. In: VAN-TAM, Jonathan. Introduction to Pandemic Influenza.   Wallingford, Oxfordshire: CABI. p. 41-56, 2010. &lt;/cite&gt;&lt;a title="International Standard Book Number" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/International_Standard_Book_Number"&gt;ISBN&lt;/a&gt; &lt;a title="Especial:Fontes de livros/978-1-84593-578-8" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Fontes_de_livros/978-1-84593-578-8"&gt;978-1-84593-578-8&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;TROPPMAIR, Helmut. Biogeografia e Meio Ambiente 3. Ed. Rio Claro: s.e, 1989.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;VIADANA, Adler Guilherme.  Biogeografia: Natureza, Propósitos e tendências. In: VITTE, Antonio Carlos, GUERRA, Antonio José Teixeira (org.). Reflexões sobre a Geografia Física do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;h2 style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Fernando Edson de Abreu Ramos&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Especialista em Gestão Ambiental com desenvolvimento sustentável&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Discente do programa de mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Piauí&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;a href="mailto:fernando-geo@outlook.com"&gt;fernando-geo@outlook.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;h2 style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Rafaela dos Santos Leal&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Especialista em Educação do Ensino Superior&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Discente do programa de mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Piauí&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;a href="mailto:rafaelasantosleal@hotmail.com"&gt;rafaelasantosleal@hotmail.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 13 Apr 2023 10:51:59 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/168471-biogeografia-e-o-fenomeno-das-pandemias-anamnese-acerca-do-contexto-atual</link>
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    </item>
    <item>
      <title>CARTA DE REMINISCÊNCIAS </title>
      <description>&lt;img width="200" alt="O geógrafo" title="O geógrafo" src="http://cadernoterritorial.iesa.ufg.brhttps://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1359/o/Johannes_Vermeer_-_The_Geographer_-_Google_Art_Project.jpg?1681150218" /&gt;&lt;br/&gt;&lt;p&gt;Edson Batista da Silva&lt;/p&gt;&lt;br/&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Nesse texto, para falar de teoria e método na Geografia decidi não retirar da estante livros empoeirados de método, de teoria da Geografia. Também não vasculhei as velhas apostilas que guardo rabiscadas com anotações ao lado da página sobre minhas apreensões do diálogo silencioso com os autores. Não, dessa vez decidi produzir um relato de reminiscências, vou “cavucar” na memória o que é o meu entendimento da feitura do método e da teoria. Espero não o decepcionar nessa empreitada. Vamos a prosa...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Dia cinco de novembro, sete da manhã, acordo e abro a porta da cozinha, vou até a varanda da área, dou uma reparada no tempo. O sol vem brotando lá das bandas da Bahia, radiante, o dia promete muito sol e pouca chuva. Há um frescor, um clima ameno e gostoso, próprio das áreas elevadas do planalto central. Sento na mesa, tomando meu café começo a matutar na tarefa do dia, é dia de campo. Reviso nas ideias que no dia anterior elaborei um conjunto de perguntas que responde as minhas intenções da prosa com os acampados do acampamento Dom Tomás Balduíno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Realizei isso no meu caderno azul, aonde anotei as questões que iriam direcionar a conversa, assim como minhas impressões do campo. Pensei nas perguntas elaboradas, me perguntei se alguma era destemperada, pergunta sem jeito, que não se faz a ninguém, daquelas indagações evasivas, chequei se faltava alguma, tentei prever tudo. No final sosseguei, prosa é coisa que não se controla assim tão fácil, o melhor que eu posso fazer é falar pouco, alimpar bem os ouvido para fazer uma boa escuta. Na hora fiquei pensando que um bom perguntador é no fundo um bom escutador, daquele que toma um gole de cachaça, come um pão de queijo, sorri, olha atento para o sujeito que fala.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Fiquei pensando que o ato de ouvir é um dos mais difíceis, envolve atenção, respeito, capacidade para aprender coletivamente. Também ruminei que quem não experimenta, não comunga, não se lambuza com os sujeitos perguntados não entendi seu mundo, suas respostas, sua vida, suas lutas. Mais do que boas perguntas, é preciso criar uma comunicabilidade com o sujeito perguntado. Essa empreitada não é das mais fáceis, você corre o risco de ser evasivo, apelativo, caricato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Já vi gente que pesquisa determinadas comunidades de destino criando para si personagens próprios, vestem-se como camponeses, indígenas, numa transmutação ridicularizada do seu ser. Ficam preocupados em retomar uma identidade, de fazer uma reafirmação desonesta, porque não vivem no cotidiano as dores e o gemido de SER camponês, indígena, ribeirinho, quilombola. Outros, por não se misturar com os sujeitos, não tecerem, ao menos contatos prévios, os entendem como incapazes de compreender determinada linguagem, de saber pouco ou não saber nada sobre determinado tema, fazem questionamentos frágeis. Alguns exageram na linguagem caricata, do tipo que “força a barra”, usam expressões como aquelas que a gente encontra em propaganda de quadrilha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Pesquisa de campo é coisa séria, não basta um formulário prévio, uma boa caneta, um bom gravador. Do outro lado tem um sujeito e isso não é pouca coisa, basta dar uma olhada em Lukács que a gente vai entender com que está se metendo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Por isso todo campo é um aprendizado, uma possibilidade de refinamento para não cometer equívocos primários. O pensamento retorna para a xícara de café vazia, como diz meu pai com jeitão de mineiro dele: “é gente, a prosa tá boa, mais deixa eu agir.” Abro a bolsa, confiro o que vou precisar na visita. Coloco lá meu caderno azul, uma caneta da mesma cor, levo outra para o caso dessa falhar. Sujeito deve ser precavido, como diz um tio meu: “cabra que vai capinar sem botina, sem enxada bem ajeitada, eu já perco a confiança na qualidade do serviço.” Pego máquina, coloco a bateria que por prudência no dia anterior carreguei. O gravador, com as modernidades do mundo atual o celular resolve, há programas de qualidade que produzem boas gravações. Tudo nos conformes, passo e repasso na ideia os materiais que vou utilizar na visita, tudo certo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Mas falta uma coisa, lembro da prosa com o estudante de graduação. Menino curioso, iniciante nessa labuta, na prosa alongada ele se mostrou interessado, comprometido, resolveu acompanhar a atividade. Fiquei reticente, a pandemia, os riscos do campo, o alertei sobre o cuidado e os riscos envolvidos. Tudo isso não o demoveu de acompanhar a atividade, resolvi iniciá-lo na questão. Pego a bolsa, coloco no carro, entro, sento e com as mãos no volante dou um suspiro. A tarefa não é nova, já foi feita outras vezes, mas nessa oportunidade a notícia que vem do acampamento não é boa. A comunidade sofre ameaças, pode ser que no caminho eu possa ser impedido de chegar ao destino. Neste país bárbaro e violento ninguém está isento, pesquisar é perigoso, como diz o ditado popular: “a verdade as vezes dói. ”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Mas o compromisso exige coragem, saio de casa, passo na casa do estudante, rumamos para o Norte de Formosa. No caminho o menino cheio de sonhos me conta sua vida, seus desejos no curso, seus sonhos. Rapaz sensível aos homens e mulheres que vamos conversar, parece que a materialidade da vida na periferia de Formosa o fez perceber que o gemido deles tem um pouco do gemido da sua comunidade. Estrada vicinal, relevo movimentado, ziguezague e treme treme constante, curva para não acabar mais, a vista alcança belos mares de morros, cobertos por fitofisionomias do Cerrado e pastagens plantadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Como migrante, sujeito novo no lugar, os sentidos identificam contrastes na paisagem, em direção a Brasília predomina as monoculturas de grãos, já por essas bandas o agronegócio pecuário fez morada. Lembro de artigos lidos de gente respeitada que diz que há uma produção completa do ambiente, não há determinações naturais para determinadas atividades, coloco em dúvida tal afirmação. A conversa com o pensamento termina e lembro que a informante disse que após a terceira ponte a gente encontraria uma placa caída, nela estaria escrito fazenda Cangalha. Curva vai, curva vem e nada da placa de referência, até que enfim avistamos a entrada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Tomo a direção à direita e a atenção a estrada se confunde com a concentração na paisagem. Geógrafo atento gosta de ficar botando sentido em tudo. Eles estão atentos, feito cavalo com as orelhas tesouradas. Começou o “papo reto”, a conversa banal substitui os olhos, o olfato, os ouvidos que percorrem, cheiram, escutam a paisagem. Pastagem degrada de braquiária esparsa coberta por uma formação de capoeira, cercas com arames arrebentados dividem os pastos. Aqui e acolá se vê uma rés pastejando, cheiro de fezes bovina, local onde besouros e mosquitos fazem sua festa, a estrada produz solavancos que gera grunhidos no carro, ao longe pássaros cantarolam na estação da primavera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Num certo descampado, onde a vista alcança mais longe, se vê que a capoeira tomou conta do latifúndio. Trago para a conversa do pensamento o Ariovaldo Umbelino, “isso aqui é para especulação e reserva de valor, não é mesmo Ariovaldo?” Essas vaquinhas aí é instrumento antigo da oligarquia agrária para camuflar a improdutividade da terra. O meu pai diria, “produção aqui só se for de chiboca.” Parece que o olho, o olfato entregou coisa para o pensamento, de repente eu já estou teorizando. Matuto que cabra que se coloca nesse serviço de pesquisador e tem preguiça da palavra escrita é a mesma coisa que colocar médico para avaliar motor de carro. Liga, escuta o barulho, acelera, observa, bota a mão aqui e acolá, sente o cheiro da fumaça, mas não identifica o problema, não o explica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Acordo do devaneio intelectual com uma indagação: “professor, já não passou do lugar não.” Consulto a memória, conforme indicação recebida a entrada do acampamento ainda não chegou. Vejo de longe o ponto indicado, entramos numa estrada esburacada. Continuamos deslocando vagarosamente por alguns minutos por um topo aplainado, descemos um declive, ao longe um conjunto de barracos se confundem com a terra arada ao fundo de uma serra. O carro vai lento, passamos uma lagoa e chegamos numa porteira. Desço do carro, verifico a fechadura, uma corrente envolve a porteira e o poste esticador unida por um cadeado, do lado se lê: “resistência Dom Tomás Balduíno.” O olho que vê indaga: isso não é sinal de território? Se não fosse, para que esse controle de acesso? Lembro na hora que Marcos Aurélio Saquet, Marcelo José Lopes de Souza, Rogério Haesbaert, etc., falam disso. Mas quem discutiu território como controle de acesso foi Robert Sack.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Repreendo o pensamento, não é hora da dialética realidade concreta/elaboração teórica para teorização da realidade. A questão é que imagens vão desnudando conteúdo de um fenômeno concreto. O desafio posterior será escrevinhar idealmente o movimento concreto da realidade. Olho no horizonte, o devaneio teórico passa, avisto ao longe um grupo reunido num salão aberto coberto de palha. Bato palmas, alguém grita: “O professor chegou, vai lá abrir.” Um jovem de uns vinte anos chegá, fico pensando no relato de uma agente de pastoral. Na oportunidade ele disse que pessoas rondavam o acampamento armadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Como diz meu pai: “dá um frio no espinhaço do cabra.” Estou na fronteira, no limite, como diz o Raffestin, eles não são inocentes. A classe se revela com clareza na cêrca, que cerca o direito à terra de trabalho.  O jovem abre a porteira, esse ato diz muito sobre domínio, controle, sobre quem domina quem naquele lugar porteira adentro. O tal do território volta na minha cabeça. Convido o jovem para entrar no carro, vamos até o ponto da prosa. Aproximo, homens e mulheres estão sentados. Há mais mulheres, sinais de transformações nas relações de gênero no campo. Chapéus, bonés, botas, alí todo mundo tirou uma hora do seu dia de lida. Olho para o céu, o tempo dá sinais de que é tempo do semeador e da semeadora jogar a semente na terra. Apresento, conversamos um pouco sobre temas avulsos para desnuviar a prosa árida que vem em seguida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Roda de apresentação, homens e mulheres contam sobre sua vida na cidade, a infância e adolescência no campo, a dureza de estar sob jugo de patrão, os sonhos que os movem, a labuta de plantar, criar, cultivar a terra numa perspectiva alternativa. Também versam sobre ameaças, preconceito, negligencia do Estado, dificuldades de comercialização, projeto de sociedade do seu movimento social. Olho para o estudante brevemente, o sujeito está entesourado, atento. Olhos, ouvidos conectados no gesticular dos braços, na intensidade da voz, nas expressões faciais. Hora ou outra a voz de um ou outro embarga, o tom aumenta, assume um compasso, os olhos ficam mais “esbugalhados”, alguém aqui e acolá se contorce ao falar. Do mesmo modo, discordâncias entre o grupo surgem sobre um ou outro tema, além de concordância e reafirmação de algumas situações.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Uma hora e trinta minutos, a prosa se esgota, uns já estão se mexendo nas tábuas do banco de madeira, conversas paralelas começam a acontecer, outros dizem que tem de ir à cidade, ou cuidar da feitura do almoço. Outra atividade nos espera, é hora de percorrer o acampamento. Guardo o celular, verifico, a gravação foi realizada. Retiro da bolsa o caderno e a máquina fotográfica. O coordenador de produção percorre conosco a área arada, mostra com orgulho a horta comunitária. Nos relata o que, como e porque se planta aquelas culturas agrícolas e olericolas. Também porque se cria apenas determinados animais. Fala da vida dos acampados, do desespero de alguns com a possibilidade de despejo: “professor, tem gente aqui que se for mandado embora vai ter de ir pra debaixo de uma ponte.” Da última vez que falamos nisso teve gente que entrou em desespero, imagina isso nessa pandemia!!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Estradas que conectam barracos de lona, terra arada com feijões e milhos crioulos apontando aqui e acolá, noutros pontos o milho e o feijão já estão começando a ganhar tamanho. Estão assim como o diz o camponês goiano: “verdolengos, o milho começando a retorcer a folha, sinal de boa colheita.” São sete alqueires, não há um palmo que não esteja plantado, ou preparado para jogar a semente na terra, exceto a área dos barracos, os quintais e um “cangueiro de pedra.” Latido de cachorros, cantarolar de galinhas, grunhidos de porcos, sinal de casa por perto. Convidados adentramos os barracos, homens e mulheres retraídos, tímidos com nossa presença. O coordenador adianta a prosa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;O olhar para baixo das mulheres, a desconfiança dos homens, a pressa e a labuta de outros. Esses não são os coordenadores do acampamento, nem os dirigentes do movimento social. Se mostram, ao que parecem, envergonhados pela casa, pela situação que vivem, desconfiados com o chegante, seria mais prometedor de promessas? Um certo ar de culpa permeia o ambiente. Estereotipados de vândalos, vagabundos, vemos na nossa frente homens e mulheres de pele queimada, mãos grossas da lida com a terra, olhares cansados e, ao mesmo tempo, esperançosos com a luta, com os sonhos que carregam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Eita, nessa hora a gente dá um suspiro, encontra um resto de saliva para molhar a garganta e engolir seco a miséria do mundo. A dor do mundo vem tudo dentro da gente, penso na responsabilidade que tenho ao tratar do tema, no risco de promessas infundadas. Tento um “fio de prosa”, a conversa se envereda para o que fazem, como fazem a produção. Corpos se movem em direção a sacas de farinha, de polvilho, garrafas de semente crioula, ao paiol de milho, ao galinheiro, ao chiqueiro, a produtos da indústria artesanal camponesa. Gesticular de braços, passos apressados, cabeça aprumada, olhar entrecruzado ao nosso, a timidez, a desconfiança, a fala segura substitui o comportamento reticente. O camponês e a camponesa que trabalham a terra e garante o sustento da família sentem orgulho do que fazem, ali há um fio de autoestima, de identidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Sorrisos, indicações das galinhas, dos porcos criados, das plantações realizadas. Um ou outro faz a gente esticar a hora até um cultivo de mandioca, de abóbora, enxadão na mão, cavucam a terra: “professor, leva para o senhor experimentar. ” Abrem a folhagem, mostram com alegria a abóbora sadia já no ponto de colheita. Alí se reafirmam como sujeitos honrados, trabalhadores, honestos, que só querem uma “terrinha” para morar, viver e criar a família. A tríade terra-família-trabalho tão versada nas pesquisas sobre o campesinato brasileiro se revela. A altura do sol e o ronco da barriga nos faz apertar o passo, descemos um leve declive, ao fundo um camponês com uma enxada prepara a terra para plantar “maniva.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;“Achegamos”, encosto conversa, pergunto porque não plantou, ele diz que está esperando a lua. Interesso na prosa, começo a bulir no conhecimento que move a lógica de plantio daquilo sujeito. Segundo ele, determinada lua não dá produção boa. O sol já não faz sombra, é hora da “boia”, cenoura, alface, rúcula da horta comunitária, arroz e feijão crioulo, banha de porco para temperar, carne de lata suína de mistura. Estômago forrado, realizamos mais um percurso, o sol já descamba na serra, é hora de partir, os registros escritos e fotográficos já foram realizados. Tomamos o rumo da cidade de Formosa, o estudante diz: “éeee..., a vida desse povo não é fácil né professor”, só balanço a cabeça num gesto de aprovação. Chego em casa, o estômago está revirando, anda desacostumado de comida com banha de porco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;No dia seguinte baixo as fotos no computador, crio um arquivo específico, o mesmo faço em relação a gravação efetuada do celular. Organizo minha sala de estudos, conecto o fone de ouvido e começo transcrever as falas dos homens e mulheres acampadas. Falas, expressões, sinto novamente as dores do mundo, as feridas do preconceito, da precariedade, da negação de direitos, do racismo, das violências simbólica, objetiva que atravessam a vida brasileira. Fico atento as reações, as dissidências, aos projetos, a negação do mundo que está aí. Fico pensando que a teoria que produzo parte da realidade concreta, desse mundo “cabrón e fudido” existente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Tenho medo de narrativas, daquilo que vagueia de um conceito, de uma palavra para a outra como simples exercício da abstração. Sou um escrevinhador incomodado com a verdade, gosto das palavras que representam sujeitos de carne e osso, com suas mãos grossas, sua pele queimada, seu olhar cansado, atento e esperançoso, não sou muito dado a divagações e idealizações. Por isso que fico de “orelha em pé” com os gemidos, as dores, os projetos, as dissidências dos camponeses e camponesas brasileiras. Minha construção como pesquisador, o meu ato de pesquisa de campo não pode ser algo vazio, distante. Eu me misturo, sinto as dores e as esperanças desse mundo em movimento, depois me distancio, consulto um ou outro documento, algumas bases de dados, adiciono ao resultado do campo e escrevo, ouço meus pares, avalio, corrijo as rotas e sigo minha escrevinhação. Essa é a Geografia que tenho feito!!!!!!!!!!!!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; Edson Batista da Silva&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Professor de Geografia na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Cora Coralina e Campus Formosa (PPGEO).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; &lt;a href="mailto:silvaedson344@gmail.com"&gt;silvaedson344@gmail.com&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;Ficha bibliográfica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt;SILVA, Edson Batista da. Carta de Reminiscências. Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, Vol.11, n.13, 19 de março de 2021. [ISSN 22380-5525].&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Times New Roman','serif';"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 10 Apr 2023 15:16:37 -0300</pubDate>
      <link>https://cadernoterritorial.iesa.ufg.br/n/168313-carta-de-reminiscencias</link>
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